*Por Thiago Aor
A decisão do Copom de interromper a sequência de cortes nos juros e manter a Selic em 13,75% ao ano está em linha com o que o mercado passou a esperar nas últimas semanas. A decisão vem depois de cinco cortes seguidos de 0,25 ponto percentual desde março.
A pausa mostra que o Banco Central continua priorizando o controle da inflação e das expectativas sobre a evolução dos preços. O cenário se deteriorou nas últimas semanas: o real perdeu valor em relação ao dólar, os investidores passaram a exigir retornos maiores diante dos riscos e ainda há incerteza sobre o equilíbrio das contas públicas. Nesse contexto, interromper os cortes é uma decisão tecnicamente consistente e preserva a credibilidade conquistada no processo de redução da inflação.
Para pequenas e médias empresas, a pausa adia um alívio que ainda não havia chegado por completo ao custo do crédito. Os juros permanecem elevados e continuam pesando sobre os recursos necessários para manter o negócio funcionando e sobre as decisões de investimento. Na prática, a maioria das PMEs deve continuar priorizando a gestão de caixa, a previsibilidade de recebimentos e o uso consciente do crédito, adiando os planos de expansão.
A tendência é que a retomada dos cortes dependa de mais clareza sobre as contas públicas e de maior estabilidade do dólar. Até lá, empresas que acompanham de perto suas entradas e saídas de dinheiro terão mais condições de atravessar esse período com segurança e estarão mais preparadas quando o crédito voltar a ficar mais barato.
*CFO da Cora, instituição financeira feita para pequenas e médias empresas

