quinta-feira, 2 de julho de 2026
Copa do Mundo transformou torcida brasileira em um fenômeno da engenharia elétrica
02/07/2026 06:43
Redação ON Reprodução

Enquanto milhões de brasileiros acompanhavam a vitória do Brasil sobre o Japão por 2 a 1, outro jogo, invisível para a maioria do país, era disputado nos bastidores: o desafio de manter estável o Sistema Interligado Nacional, operando em 60 Hz, segundo análise publicada pelo site Brainmarket.

O gráfico divulgado pelo ONS mostra um fenômeno impressionante: o comportamento de milhões de torcedores se transformou em uma gigantesca curva de potência elétrica.

Com o início da partida, a carga começou a cair. Não por acaso. Milhões de pessoas passaram a fazer a mesma coisa ao mesmo tempo: sentaram diante da televisão. Chuveiros foram desligados, máquinas de lavar encerraram ciclos, cozinhas entraram em pausa e a rotina doméstica desacelerou.

A demanda elétrica do país caiu até 66.515 MW, uma redução máxima de 21% em relação ao perfil esperado para aquele dia. Mas o momento mais curioso veio no intervalo.

Em apenas nove minutos, a carga aumentou 2.659 MW. Foi o retrato de uma sincronização coletiva: gente levantando para preparar café, ligar air fryer, usar micro-ondas, ir ao banheiro ou retomar alguma atividade doméstica.

Para a engenharia elétrica, esse salto é conhecido como um grande degrau de carga, um dos fenômenos mais desafiadores para a operação de um sistema elétrico de grande porte.

Depois do apito final, veio outro impacto. Em 60 minutos, a demanda cresceu 12.784 MW, uma variação próxima à ordem de grandeza da potência instalada de Itaipu, uma das maiores hidrelétricas do mundo.

O dado ajuda a entender o tamanho do desafio. O ONS não controla o consumo de energia ao longo do dia. Sua missão é equilibrar, segundo a segundo, a potência gerada e a potência consumida. Se esse equilíbrio se perde, a frequência da rede se afasta dos 60 Hz e a estabilidade do sistema fica comprometida.

Enquanto o Brasil olhava para o placar, os operadores acompanhavam outro marcador: 59,99 Hz, 60,00 Hz, 60,01 Hz.

No fim, a Copa mostrou que o maior “equipamento elétrico” do país pode ser o comportamento coletivo da população. Cada gol, cada intervalo e cada apito final transformam emoção em megawatts. Durante 90 minutos, o Brasil não assistiu apenas a uma partida de futebol. Assistiu, sem perceber, a um experimento de engenharia elétrica em tempo real.

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