João Pessoa, terça-feira, 8 de setembro de 2026
Convenção governista reúne multidão, mas crise pela vice expõe divisão na base de Lucas Ribeiro
05/08/2026 20:23
Redação ON Reprodução

A convenção que oficializou, nesta quarta-feira (5), a candidatura à reeleição do governador Lucas Ribeiro (PP) foi marcada por um contraste evidente. Enquanto milhares de apoiadores lotaram o Centro de Convenções de João Pessoa, provocando congestionamentos desde a rodovia até o acesso ao local do evento, nos bastidores a base governista viveu um dos dias mais tensos desde o início da campanha.

Desde as primeiras horas da manhã, as principais lideranças da aliança permaneceram reunidas na Granja Santana, residência oficial do governador, em uma tentativa de construir um consenso sobre a escolha do candidato a vice-governador. Participaram das negociações o governador Lucas Ribeiro, o governador João Azevêdo, o deputado federal Aguinaldo Ribeiro, a senadora Daniella Ribeiro, o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, e o presidente da Assembleia Legislativa, Adriano Galdino, além de outras lideranças da base.

Depois de horas de negociações, o encontro terminou sem qualquer definição. A convenção começou às 16h sem que a chapa majoritária estivesse completa, transformando a vaga de vice na maior incógnita das eleições estaduais. Embora a legislação permita que o nome seja definido até 15 de agosto, a expectativa do grupo era chegar ao evento com a chapa fechada.

O episódio mais emblemático do dia foi a ausência de Adriano Galdino na convenção. Cotado para ocupar a vaga de vice e um dos protagonistas das negociações realizadas na Granja Santana, o presidente da Assembleia deixou a residência oficial sem acordo e optou por não participar do ato político. O gesto foi interpretado como um claro sinal de insatisfação e expôs as dificuldades para manter a unidade entre os partidos aliados.

Se nos bastidores predominava a tensão, no palco Lucas Ribeiro adotou um discurso firme e claramente voltado para o enfrentamento eleitoral. Sem citar nominalmente os adversários, o governador reagiu às críticas de que seria necessário promover mudanças na administração estadual e questionou esse discurso.

“Tem que mudar o quê?”, perguntou ao público, antes de associar a oposição a um período em que, segundo ele, “viatura não tinha gasolina” e o Estado precisava recorrer a empréstimos para pagar salários.

Lucas também fez a declaração mais dura de sua fala ao afirmar que seus adversários pretendem “colocar facções criminosas dentro do governo”. Em seguida, respondeu de forma enfática: “Eu nego. Eu nego. A Paraíba se acostumou a andar para frente.”

O tom adotado pelo governador indica que a campanha deverá ser marcada por um confronto direto com a oposição. Entretanto, antes de mirar os adversários externos, a base governista ainda terá de superar seus próprios impasses internos. Apesar da demonstração de força com uma convenção que reuniu milhares de pessoas, o grupo saiu do evento sem resolver a principal pendência política da chapa e com sinais evidentes de desgaste entre seus aliados. A expectativa é que as negociações sejam retomadas nas próximas horas, mas, diante do clima das últimas reuniões, já não há garantia de que o anúncio do vice aconteça nesta quinta-feira. A missão da base, agora, é transformar o discurso de unidade apresentado ao público em um consenso real entre suas principais lideranças.

canal whatsapp banner

Compartilhe: