O relógio político da Paraíba já não marca mais dias, marca horas. A partir deste sábado (21), começa oficialmente a contagem regressiva final: faltam 360 horas para que João Azevêdo deixe o Governo do Estado e Cícero Lucena se despeça da Prefeitura de João Pessoa. Não é hipótese, nem cenário em aberto. É decisão tomada, já assumida publicamente pelos dois.
No fim do ano passado, em entrevistas exclusivas concedidas ao portal O Norte Online, os dois foram confrontados com a mesma pergunta: existe alguma chance de não disputar as eleições? A resposta, nos dois casos, foi direta, sem margem para recuo. João confirmou que irá disputar o Senado. Cícero reafirmou que será candidato ao Governo do Estado. Desde então, o que existe não é dúvida, é contagem regressiva.
O prazo que move esse cronômetro é a desincompatibilização prevista na legislação eleitoral. Até o dia 4 de abril, exatamente seis meses antes da eleição, chefes do Executivo que desejam disputar outros cargos precisam renunciar. A regra está na Lei Complementar 64/90 e é implacável: perder o prazo, ainda que por horas, significa ficar fora da disputa.
Na prática, isso transforma os próximos 15 dias em um período de transição acelerada. No Palácio da Redenção, a saída de João Azevêdo abrirá caminho para a posse definitiva do vice-governador Lucas Ribeiro, que assume o comando do Estado já com status de candidato natural à reeleição. Na Prefeitura de João Pessoa, a renúncia de Cícero Lucena colocará o vice Léo Bezerra à frente da administração da capital.
Mais do que mudanças administrativas, o movimento redesenha o tabuleiro político. A saída simultânea de governador e prefeito da capital mexe diretamente nas alianças, nas composições partidárias e no equilíbrio de forças para 2026. Não se trata apenas de quem assina atos oficiais, mas de quem passa a comandar a máquina pública em ano eleitoral.
Até lá, o cenário será de intensidade máxima. Inaugurações, anúncios de obras, articulações e ajustes finais devem se concentrar nesse intervalo. É o tempo de fechar ciclos e abrir campanhas.
O fato é que o cronômetro já está em contagem regressiva. E, desta vez, não há espaço para recuo: em 360 horas, a Paraíba troca dois de seus principais comandos e entra, de vez, no modo eleição.