O vereador Guga Pet (PP) foi conduzido à Central de Polícia de João Pessoa na tarde desta quinta-feira (12) após se envolver em uma confusão dentro do Hospital Veterinário da Capital, no Bairro dos Estados. O caso foi registrado pelas autoridades e encaminhado para apuração. Segundo informações oficiais, o parlamentar teria ido ao local alegando falhas na prestação de serviços e falta de medicamentos na unidade, o que acabou resultando em um episódio de tensão com a administração do hospital.
O episódio, por si só, poderia ser tratado como um incidente isolado. No entanto, ele se soma a uma sequência de situações ruidosas envolvendo o vereador e sua família desde o início do ano, formando um contexto político que tem chamado a atenção nos bastidores e fora deles.
Em janeiro, Guga Pet rompeu com o grupo do prefeito de João Pessoa, Cícero Lucena (MDB), após a nomeação relâmpago do seu filho, Carlos Ítalo Suassuna de Oliveira, para a Secretaria Municipal de Cuidado e Proteção Animal. A indicação durou menos de 24 horas. O vereador tornou pública sua insatisfação com as condições políticas impostas para a permanência do filho no cargo e, em meio ao impasse, o jovem deixou a função antes mesmo de iniciar efetivamente a gestão. O desfecho marcou a saída de Guga Pet da base governista da capital e expôs um racha que ainda ecoa no cenário político local.
Pouco tempo depois, já no plano estadual, outro filho do vereador, Ítalo Oliveira, foi nomeado pelo governador João Azevêdo (PSB) para a Secretaria Executiva de Proteção Animal da Paraíba. Em entrevistas, o novo gestor falou em compromisso com a causa e agradeceu a confiança do governo. A nomeação foi interpretada por aliados e adversários como um gesto político do Palácio da Redenção e, ao mesmo tempo, como uma tentativa de reorganizar pontes após o rompimento com a Prefeitura de João Pessoa.
A sucessão de movimentos, em um curto intervalo de tempo, alimentou a leitura de que a pauta da proteção animal vinha sendo atravessada por disputas políticas e rearranjos de poder. Para parte do meio político, a causa passou a dividir espaço com conflitos partidários e negociações que extrapolam o debate técnico sobre políticas públicas para o setor.
O episódio desta quinta-feira, no Hospital Veterinário da Capital, acaba reforçando essa percepção de turbulência permanente. Ao invés de fortalecer a imagem de diálogo institucional em defesa dos serviços públicos, a cena pública foi de confronto e exposição, com desdobramentos policiais.
Para o eleitor que acompanha esse roteiro à distância, a soma dos fatos produz um ruído difícil de ignorar. Não se trata de desqualificar a bandeira da causa animal, que é legítima e necessária, mas de reconhecer que a forma como ela vem sendo conduzida no debate político local tem gerado mais desgaste do que consenso. Em política, o conteúdo importa, mas o método também comunica. E, neste caso, o barulho tem falado alto demais.