A proximidade do prazo de desincompatibilização imposto pela Justiça Eleitoral voltou a provocar mudanças importantes no rádio e na televisão paraibanos. Comunicadores com forte presença junto ao público estão deixando temporária ou definitivamente os microfones para investir em projetos políticos nas eleições de 2026, repetindo um movimento que há décadas marca a política brasileira.
O caso mais recente e de maior repercussão é o de Samuka Duarte. Um dos principais nomes do Sistema Arapuan, onde comandava programas de rádio e televisão, ele confirmou seu desligamento da emissora para dedicar-se exclusivamente à pré-candidatura a deputado federal pelo PSD. A decisão foi tomada dentro do prazo previsto pela legislação eleitoral e permitirá que ele concentre esforços na construção de sua campanha.
Com décadas de atuação na comunicação, Samuka construiu uma forte identificação popular, especialmente na Grande João Pessoa e em municípios como Santa Rita e Bayeux. Essa popularidade o coloca entre os comunicadores que chegam à disputa eleitoral com maior potencial de votos.
Mais um nome consolidado nesse processo é Nilvan Ferreira. Depois de construir uma carreira de grande audiência no rádio e na televisão, ele migrou definitivamente para a política. Em 2020, afastou-se da comunicação para disputar a Prefeitura de João Pessoa, chegando ao segundo turno. Dois anos depois concorreu ao Governo da Paraíba, e, em 2024, disputou a Prefeitura de Santa Rita. Agora, de volta ao PL, estrutura sua candidatura a deputado estadual nas eleições de 2026, consolidando uma trajetória política iniciada justamente a partir da visibilidade conquistada nos meios de comunicação.
Outro comunicador que também decidiu ingressar na disputa eleitoral em 2026 é o jornalista e advogado, Ruy Galdino, pré-candidato ao Senado pelo PSD. Conhecido por sua atuação no jornalismo político paraibano, Galdino ganhou projeção nacional ao disputar o leilão do Hotel Tambaú, processo que ainda tramita nas instâncias superiores da Justiça. Defensor da candidatura de Caiado à Presidência da República, ele aposta na visibilidade construída ao longo da carreira na comunicação para buscar uma das duas vagas ao Senado que estarão em disputa na Paraíba.
Fenômeno também se repete em todo o país
A saída de comunicadores das emissoras não é uma realidade exclusiva da Paraíba. Em todo o Brasil, apresentadores de rádio e televisão que pretendem disputar as eleições de 2026 precisam deixar os programas até a próxima terça-feira (30), cumprindo o prazo de desincompatibilização previsto na Lei das Eleições e regulamentado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A medida busca evitar que futuros candidatos utilizem a exposição diária na mídia como vantagem durante a campanha.
Entre os nomes nacionais que anunciaram a saída das emissoras estão Silvia Abravanel, apresentadora do SBT e pré-candidata a deputada federal pelo PSD; José Luiz Datena, que deixou a TV Brasil e a Rádio Nacional para disputar uma vaga na Câmara dos Deputados; Sikêra Júnior, ex-apresentador da TV A Crítica e pré-candidato a deputado federal; e André Marinho, ex-apresentador da Jovem Pan, que pretende disputar o Governo do Rio de Janeiro pelo Novo.
A legislação eleitoral prevê sanções tanto para os pré-candidatos quanto para as emissoras que mantiverem apresentadores no ar após o prazo legal de afastamento. Por isso, a reta final de junho costuma ser marcada por despedidas nos estúdios e pelo início oficial da caminhada de diversos comunicadores rumo às urnas.