Pelo menos 15 capitais brasileiras registraram neste domingo (3) manifestações organizadas por apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), em um movimento que testou a força de mobilização da direita diante das recentes restrições impostas pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Impedido de sair de casa nos fins de semana por decisão do ministro Alexandre de Moraes, Bolsonaro acompanhou os atos à distância e participou por videochamada.
Em Brasília, onde o ex-presidente reside, a manifestação teve como foco a crítica ao STF e à “perseguição política” contra Bolsonaro. “Ele estava emocionado. Certamente ele estaria aqui se não estivesse sendo perseguido com uma tornozeleira. A tornozeleira nele dói na gente”, disse a deputada federal Bia Kicis (PL-DF), em declaração ao portal Metrópoles. Os atos ocorreram em meio à ação penal em que Bolsonaro é réu, acusado de articular uma tentativa de golpe de Estado após a derrota nas eleições de 2022.
No Rio de Janeiro, a mobilização começou pela manhã com a presença de bandeiras dos Estados Unidos e cartazes em inglês agradecendo ao ex-presidente Donald Trump, em mais uma demonstração do alinhamento simbólico entre parte do bolsonarismo e a direita americana. Quem comandava o carro de som era o secretário estadual de Envelhecimento Saudável, Alexandre Isquierdo, aliado do pastor Silas Malafaia. “Vamos fazer barulho para o Trump, ele é brabo”, exclamou Isquierdo diante dos manifestantes.
Em São Paulo, o grande destaque é o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG), que substituiu Bolsonaro e o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) — ambos ausentes. Principal organizador dos protestos, Silas Malafaia mobilizou seus seguidores com vídeos do parlamentar mineiro convocando a população para o ato na Avenida Paulista. Nikolas elencou decisões de Moraes para justificar a manifestação, alimentando o discurso de vitimização do ex-presidente e questionamento ao Judiciário.
As manifestações foram registradas também em outras capitais, como Belo Horizonte, Salvador, Porto Alegre, Recife, Goiânia e Manaus, totalizando atos em pelo menos 62 cidades do país, segundo os organizadores. Os protestos mantêm a narrativa de perseguição política contra Bolsonaro, que se tornou réu em ações que investigam uma suposta conspiração para se manter no poder após a eleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
A presença de bandeiras estrangeiras, a exaltação a Trump e os ataques reiterados ao STF revelam a estratégia discursiva do bolsonarismo: internacionalizar o conflito institucional e reforçar a imagem de Bolsonaro como vítima de um sistema que tenta silenciar a oposição. A adesão popular aos atos, porém, foi heterogênea e segue sendo observada como termômetro para o capital político do ex-presidente nas eleições municipais de 2026.

