Zé de Quinca deu de graça seu cavalo e saiu da roda sem fazer alarde. Eu, um dia, também desci do meu — não de sela e couro, mas de copo e noite. Ele deixou os mourões; eu deixei as mesas. Cada um, à sua maneira, desaprendeu o caminho da festa.
Não foi tristeza. Foi cansaço de repetir o mesmo riso, de ouvir promessas que amanheciam vazias. Há uma hora em que o barulho já não preenche — apenas encobre.
Seis anos sem beber, e descubro que a coragem não estava nos excessos, mas na renúncia. Zé de Quinca entendeu isso antes de mim. Preferiu o silêncio ao aplauso fácil, a estrada longa à vaidade das disputas.
Ficaram os sinais do que fomos: um paletó velho, desbotado, guardando lembranças como quem guarda cartas nunca mais lidas. Ali dentro ainda moram risadas, amores, imprudências — e um certo orgulho de ter vivido.
Mas hoje, nem ele corre mourão, nem eu corro atrás da madrugada.
Seguimos. Sem festa. Sem prova. Sem plateia.
E, talvez por isso mesmo, mais inteiros.
