Eu já vi muito vereador querendo lacrar com microfone, mas aqui a coisa desandou feio e sem nenhuma elegância. Em fala registrada durante sessão da Câmara de Major Vieira, em Santa Catarina, Osni Novack afirmou que, no caso dos cães soltos nas ruas, “tinha que matar” e ainda sugeriu que, sem quem os defendesse, alguém deveria “fazer um servicinho”. É aquele tipo de frase que sai da boca e já entra direto na pasta do escândalo.
No trecho que circula, o vereador compara a reação à morte de uma freira com a comoção diante de maus-tratos a cães. Ele diz que “hoje se mata um cachorro, vai parar na cadeia” e usa essa comparação para sustentar a defesa de eliminação dos animais que estariam na vila. A fala, além de brutal, joga gasolina num debate que exige política pública, controle populacional, castração, acolhimento e responsabilidade do poder público, não bravata de plenário.
A lista completa do que apareceu nessa declaração é pesada e objetiva. Ele relativiza a violência contra animais, cita a morte de uma freira para justificar o argumento, defende explicitamente matar cães de rua e ainda fala em “servicinho”, expressão que acende um alerta imediato pela carga de incentivo à ação violenta. Numa Câmara Municipal, isso deixa de ser mero destempero de mesa de bar e vira fala pública com peso político.
Nas redes, a repercussão veio no tom que se esperava, indignação, cobrança e muita gente perguntando como um agente público escolhe esse tipo de caminho verbal para tratar um problema real. Porque cachorro abandonado nas ruas é assunto sério, só que resolver isso no grito e com fantasia de extermínio é o tipo de raciocínio que apequena o debate e arrasta o cargo para o pior lugar possível. Aqui, o vereador não virou notícia por firmeza. Virou pelo absurdo mesmo, puro e em voz alta.