Baby Pignatari, neto de Francisco Matarazzo, o maior industrial do país à época, começou a trabalhar com o pai muito cedo e aos 20 anos herdou a Laminação Nacional de Metais. Chegou a ser conhecido como o rei do cobre do Brasil. Sua Companhia Brasileira de Cobre (CBC), fundada no Rio Grande do Sul era um modelo. Construiu uma cidade, bancando várias vilas de moradores (mais de 5.000), com hospital, clinicas odontológicas, clubes de lazer, campo de aviação, rodoviária, cinema e muito mais.
Porém Baby não se limitou ao cobre. Partiu para a construção de várias fábricas, que iam de purpurina e botões até alumínio. Destaque merece sua fábrica de aviões. Eram os “paulistinhas”, próprios para operarem em aeroclubes. Numa coincidência incrível, o todo poderoso Assis Chateaubriand, à época dono da maior rede de comunicação nacional, lançou uma campanha para a construção de aeroclubes por todo o Brasil e a única fábrica que poderia equipa-los era de Baby, que agradecido mandou vir da Inglaterra um Rolls Royce para presentear Chatô. Repele-se qualquer insinuação de troca de favores, haja vista a trajetória linear do ilustre paraibano.
Até aqui contei a parte empresarial, porém o que me fascinou em Pignatari foi sua vida pessoal. Do alto dos seus quase dois metros de altura, bronzeado e boa pinta, namorou as mais famosas atrizes do mundo e entre seus quatro casamentos, um ficou mundialmente famoso.
A Princesa Ira von Furstenberg casara aos 15 anos com um príncipe e era herdeira da Fiat. Ela conheceu Baby 5 anos depois. Foi amor à primeira vista e a diferença de 24 anos entre suas idades não impediu que largasse tudo na Europa e viesse morar com Pignatari no Brasil. Ah, as loucuras da paixão! Baby encomendou a Oscar Niemeyer e Burle Marx um palácio para o seu amor. O jardim da construção hoje é o parque Burle Marx, um dos mais belos de São Paulo. A morada é “somente” o hotel seis estrelas Palácio Tangará. Pena que tenham terminado a relação 3 anos depois.
Porém a última das esposas de Baby é que deveria estrelar um filme. Aos 46 anos conheceu Regininha (18 anos), que “trabalhava” na Casa da Wanda. Levava-a e às colegas de “trabalho” para sua mansão, franqueando os armários que ainda estavam cheios com os vestidos da Princesa. Nas ceias à luz de velas elas desfilavam com modelos exclusivos Givenchy, Chanel e Dior. Baby tirou Regininha da “atividade”, casando e introduzindo-a na alta sociedade paulista.
Se eu tivesse mais espaço traria a continuidade dessa história, é do balacobaco. Consultem a Memória Paulista.
Mas por que quase playboy? Porque Baby trabalhava e playboy que se preza não comete esse desatino. Está nos livros.