Existe um momento simbólico acontecendo no futebol feminino mundial, e ele não passa por um título. Ele passa por planejamento.
O CPKC Stadium, casa do Kansas City Current, é o primeiro estádio do mundo construído para uma equipe feminina profissional. E isso diz muito.
Durante décadas, o futebol feminino ocupou espaços emprestados, jogando onde dava, como dava, quase sempre como convidado. Nunca como protagonista.
Ali, não. Ali é projeto, é investimento pensado desde o início, para o futebol feminino, como informa seu site. E a mensagem é clara de que não se trata de algo provisório.
E não por acaso, esse mesmo ambiente recebe um torneio internacional que ajuda a explicar o momento. A Teal Rising Cup reúne Kansas City Current, Corinthians, Palmeiras e Club América, do México, em um formato simples, com semifinais, disputa de terceiro lugar e final. Mas o ponto não é o formato. É o que ele representa, para os brasileiros.
Clubes brasileiros atravessando o continente para disputar um torneio amistoso nos Estados Unidos mostram que o futebol feminino já é também uma ferramenta de posicionamento internacional. No futebol global, não basta existir. É preciso ser visto.
Divulgar o nome no exterior, com a presença em torneios e copas, é estratégico.
Isso aproxima os clubes de novos públicos, fortalece a marca, atrai patrocinadores e cria uma base de fãs em outros países, sejam filhos de brasileiros que ali residem, sejam cidades locais. É assim que o futebol se consolida como produto global.
Para os torcedores no Brasil, a oportunidade de conhecer essa realidade e a possibilidade de imaginar a existência de um estádio próprio para a equipe feminina ainda não aconteceram, mas quem sabe não aconteçam logo, nos ventos da Copa do Mundo de 2027?
Porque, no fim, o futebol feminino não cresce só dentro de campo. Ele cresce quando alguém decide que vale a pena construir futuro.