O vaqueiro é um ser diferente. Diferente do homem brejeiro, do negro, que vivia preso, o vaqueiro é um homem livre. Se quisesse fugir, tinha até o meio de transporte: seu cavalo.
Conta o professor Darcy Ribeiro eu seu livro O Povo Brasileiro que existe uma profunda diferença entre o sertanejo e o brejeiro.
A Zona da Mata da Paraiba foi colonizada, principalmente, por negros escravizados que dormiam amarrado nos porões e iam para o eito logo ao amanhecer.
Esse povo desenvolveu um jeito manhoso e próprio de viver.
Aí por volta de 1612, quando a Holanda começou invadir as Capitanias do Nordeste, Portugal foi buscar o povo do Norte que vinha do Oriente e passou muito tempo cruzando a Península Ibérica. Com essa gente veio o aboio, que um gemido árabe.
O vaqueiro nordestino preservou esse traço cultural nos currais de gado por onde andou nas entranhas dos sertões.
Enquanto o negro brejeiro era um homem vigiado por capatazes e dormia acorrentado, o vaqueiro é um homem livre, tem participação no nascimento de bezerros e meio de transporte para fugir se assim desejasse: seu cavalo.
