A transição da Reforma Tributária colocou um novo desafio na agenda das empresas familiares brasileiras. Além de preparar a próxima geração para assumir a gestão, empresários precisam revisar a estrutura tributária construída ao longo dos anos para evitar passivos fiscais, reduzir conflitos e preservar o patrimônio. Estudos recentes da Deloitte apontam que empresas familiares devem ampliar sua relevância na economia global até 2030, reforçando a necessidade de fortalecer governança, planejamento e processos de sucessão para garantir crescimento sustentável.
Para André Fantoni, estrategista tributário, auditor, consultor e CEO da EcoFiscal, empresas especializadas em planejamento tributário, auditoria fiscal, compliance e recuperação de créditos tributários, a sucessão empresarial deve incluir uma revisão completa da estrutura tributária antes da transferência do comando. “Planejamento tributário na sucessão empresarial significa preparar a empresa para que a próxima geração receba um negócio organizado, seguro e compatível com as mudanças da legislação. Quando isso não acontece, o sucessor acaba herdando problemas fiscais que poderiam ter sido resolvidos muito antes da transição”, afirma.
Reforma Tributária amplia a necessidade de revisão fiscal
A implementação gradual da Reforma Tributária exige que as empresas convivam durante vários anos com regras antigas e novas, tornando a gestão tributária mais complexa. Para especialistas, esse período representa uma oportunidade para revisar estruturas societárias, processos fiscais e modelos de tributação antes da mudança de comando.
Levantamento da Deloitte sobre a preparação das empresas para a Reforma Tributária mostra que muitas organizações ainda estão em fase inicial de adaptação, embora as mudanças impactam diretamente áreas como planejamento financeiro, tecnologia, governança e estratégia empresarial.
Segundo o estrategista, adiar essa revisão pode tornar a sucessão mais custosa. “Muitas empresas familiares cresceram com estruturas tributárias que atendiam às necessidades de décadas anteriores. A sucessão oferece a oportunidade de revisar essas decisões, corrigir distorções e preparar a empresa para operar dentro da nova realidade tributária brasileira”, ressalta.
Passivos fiscais podem comprometer a continuidade do negócio
Na avaliação de André, um dos principais riscos está nos passivos tributários que permanecem ocultos durante anos e aparecem justamente quando a nova geração assume a administração.
Créditos tributários não recuperados, inconsistências fiscais, enquadramentos inadequados e ausência de controles internos podem reduzir o caixa da empresa, aumentar a exposição a autuações e comprometer investimentos futuros. “O sucessor deveria concentrar seus esforços em fazer a empresa crescer, não em resolver problemas acumulados ao longo de décadas. Uma revisão tributária preventiva reduz riscos, fortalece a segurança jurídica e permite que a transição aconteça de forma muito mais organizada”, explica André.
Governança fortalece o legado familiar
Estudo global da Deloitte mostra que empresas familiares representam cerca de 22% das organizações com faturamento superior a US$100 milhões e devem praticamente dobrar sua receita até 2030. O levantamento também destaca que as empresas mais preparadas para crescer são justamente aquelas que investem em governança, profissionalização da gestão e planejamento de longo prazo.
Para o especialista, a governança tributária precisa acompanhar esse processo. “Planejamento tributário na sucessão empresarial não tem como objetivo apenas reduzir a carga tributária. O principal resultado é construir uma empresa preparada para enfrentar mudanças na legislação, preservar o patrimônio familiar e oferecer segurança para que a próxima geração continue desenvolvendo o negócio com estabilidade”, conclui.