
A senadora Damares Alves (Republicanos-DF) resolveu cobrar explicações do governo Lula sobre o patrocínio da Fatal Fans ao Corinthians. Quer saber quais providências estão sendo tomadas para proteger crianças e adolescentes da exposição à publicidade de uma plataforma de conteúdo adulto.
Há uma ironia adicional: Damares é corintiana declarada. E o contrato que provocou sua reação não é pequeno. O Corinthians fechou com a Fatal Fans um acordo válido até dezembro de 2027, no valor fixo de R$ 22 milhões, que pode chegar a R$ 31 milhões com a prorrogação prevista no contrato.
Mas a questão vai muito além da paixão pelo clube.
Se a preocupação é a influência da publicidade sobre crianças e adolescentes, vale olhar também para aquilo que se tornou praticamente onipresente no futebol brasileiro: as bets. Casas de apostas ocupam o espaço mais nobre das camisas de boa parte dos clubes da Série A, aparecem nas transmissões, nos estádios e nas redes sociais.
É verdade que Damares já criticou essa publicidade e chegou a defender restrições aos patrocínios das bets. Portanto, seria injusto dizer que ela nunca levantou essa bandeira.
A pergunta que cabe agora é outra: por que o patrocínio da Fatal Fans provoca uma reação tão imediata e ostensiva, enquanto a presença maciça das apostas no futebol acabou sendo, na prática, normalizada?
Se o critério é proteger crianças e adolescentes, ele precisa valer com a mesma intensidade para qualquer atividade potencialmente nociva. Do contrário, a discussão corre o risco de parecer muito mais uma escolha moral sobre qual publicidade incomoda do que uma política coerente de proteção à infância.