Guarde-se! Você é o único responsável por si, porque a sentença que condena à liberdade é prolatada por juízo próprio – do réu.
Esmeraldo Braga é a personificação de uma novela, cujos personagens concorrem ao protagonismo no seu cotidiano.
Como esses personagens são libertos, salvo uma ou outra parada do escritor para conferir—lhes a armadura do texto, Esmeraldo termina com gestos quase divinais.
Para provar que o céu é uma perspectiva, ‘O Velho de Sousa’ – tal como o identificava Orlando Tejo, outra ironia de Deus ao absurdo humano – recolheu-se ao seu mundo, onde Brasília e Goiás disputam suas linhas de vizinhança.
Estive com ele, há pouco, para deixar o meu livro e falar de outros trabalhos, entre poemas, roteiros, contos e outras insanidades. Com ele, fui tentar saber como domar personagens de uma novela sem fim, que tento terminar há algumas encarnações. O que para ele é fácil, logo que o tema é exposto, para mim fica mais complexo.
Ele torna simples:
– Nunca os deixe esperando por você. Esteja sempre presente!
Outro dia, João Trindade canonizou o seu, dele: Esmeraldo, ‘Danação em Terra Quente’. Eu lhe mostrei a crítica e ele me falou da satisfação da escolha, e me passou, à minha honra, à leitura analítica, uma peça infantil em que traz ‘Alice’, do ‘País das Maravilhas’, à realidade contemporânea.
Conversamos muito. Não sei como ele consegue se entender naquelas anotações em tudo que tem nas mesas das tantas repartições que o seu sítio tem.
Ouvi uma queixa fúnebre sobre o Pequizeiro que passava noites sem fins brigando com a Goiabeira e a Mangueira, à entrada da casa. Do tronco que restou, nada mais é audível.
Mas …conversamos muito e eu até trouxe uns cachos de uva que se punham ao meu alcance numa cerca-viva que separava uma quadra de futebol de um salão de sinuca.
Creio, sinceramente, que Deus descansa por ali – onde Esmeraldo Braga pensa.
