segunda-feira, 16 de março de 2026
Ratinho diz que Erika Hilton “não é mulher” e provoca reação imediata
12/03/2026

Meus fofoqueiros de elite, eu estava numa cena muito pouco glamourosa da minha rotina de cronista dramática da vida alheia. Café requentado, celular na mão, tentando fingir disciplina jornalística às oito da manhã, quando a televisão brasileira resolveu me entregar um capítulo inteiro de novela política ao vivo. Eu tive que parar tudo e reler a frase três vezes para ter certeza de que não era meme de grupo de WhatsApp.

O apresentador Ratinho, dono de um dos megafones mais barulhentos da televisão popular, resolveu comentar em seu programa no SBT a eleição da deputada Erika Hilton para a presidência da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher da Câmara. Até aí, cenário típico da política brasileira: opinião, debate, frase atravessada, todo mundo querendo falar mais alto que o outro.

Aí veio a frase que fez metade do Twitter derrubar o café no teclado. Ratinho afirmou ao vivo que Erika “não é mulher, é trans”. Logo depois engatou um raciocínio em que questionou se uma mulher trans deveria presidir a comissão e disse que, para ele, mulher precisaria ter útero e menstruar. Meu amor, nesse momento eu fiquei olhando para a tela com aquela expressão de quem percebe que o roteiro da realidade resolveu competir com qualquer reality show de streaming.

A fala aconteceu na quarta-feira, 11 de março, durante o programa que ele comanda no SBT. O comentário veio justamente depois da escolha de Erika Hilton para liderar a Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher da Câmara dos Deputados, um cargo político que costuma atrair atenção porque lida com temas delicados como violência de gênero, direitos reprodutivos e políticas públicas voltadas para mulheres.

Erika não deixou passar. A deputada reagiu publicamente e classificou o apresentador como “esgoto da sociedade”, frase que rapidamente virou combustível para uma guerra digital nas redes. Meu povo, se existe uma lei natural da internet brasileira, ela diz o seguinte: misture televisão aberta, política e identidade de gênero que o algoritmo já começa a esticar o sofá e preparar pipoca.

Enquanto eu lia as reações, comecei aquela minha análise de boteco com verniz de seminário. Ratinho construiu carreira justamente falando o que pensa sem filtro, com aquele estilo de bar de esquina amplificado por antena parabólica. A televisão dele sempre funcionou assim: frase direta, polêmica rápida, reação instantânea da plateia. Só que quando o assunto entra no campo político e identitário, o efeito deixa de ser só entretenimento e vira disputa de narrativa nacional.

Meus fofoqueiros de elite, eu confesso uma coisa com toda honestidade acadêmica de quem faz sociologia de Instagram. A televisão brasileira tem um talento raro para transformar comentários improvisados em terremotos digitais. Uma frase atravessada em programa popular e pronto, temos editorial político, thread militante, meme, vídeo de reação e análise de professor universitário antes mesmo do almoço.

A discussão que Ratinho puxou também toca num ponto sensível do debate público brasileiro: quem representa quem nas comissões temáticas do Congresso. A presidência de Erika Hilton na comissão que trata dos direitos das mulheres já vinha sendo discutida por setores políticos antes mesmo da fala do apresentador. Só que, depois da declaração ao vivo, a conversa saiu do plenário e virou espetáculo nacional.

E aqui estou eu, Kátia Flávia, cronista do camarote da vida alheia, olhando para essa cena como quem assiste a uma mistura de sessão da Câmara com episódio especial de reality show político. Confesso que dei aquela risada nervosa que a gente solta quando percebe que a realidade brasileira tem um senso de dramaturgia muito mais ousado do que qualquer roteirista de série cara.

Agora me digam vocês, meu comitê de análise de sofá e café: televisão virou arena política permanente ou a política que decidiu invadir de vez o palco da televisão? Porque, depois desse capítulo, parece que o Brasil resolveu transformar debate público em episódio semanal de um reality que ninguém pediu, mas todo mundo assiste.

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