terça-feira, 21 de julho de 2026
Quem não tem voto quer mandar em quem tem
23/04/2025

Vivemos tempos estranhos, em que quem não tem voto quer mandar em quem tem. Secretários de Estado, nomeados por conveniência política, esquecem que não passaram pelo crivo das urnas e tratam deputados — eleitos pelo povo — como estagiários. Dão chá de cadeira, mandam recados por assessores, regateiam apoio a projetos, travam o andamento de políticas públicas e exigem reverência dos parlamentares. O eleito, que deveria representar o cidadão, vira um despachante de luxo, mendigando audiência com quem ocupa cargo comissionado, demissível “ad nutum”.

Essa inversão é sintoma de um sistema adoecido pela vaidade de tecnocratas e pela fraqueza de lideranças políticas. O poder não emana do decreto, mas do voto. E é bom lembrar aos senhores secretários: quem entra por indicação, sai pela porta dos fundos. Já quem tem voto, pode voltar. E quando volta, cobra.

Democracia não se sustenta com soberba de nomeado. Se correr, o voto pega. Se ficar, a urna cobra.

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