quarta-feira, 25 de março de 2026
Quem mais fantasia, homem ou mulher? (E por que essa pergunta está errada)
25/03/2026

Por muito tempo, acreditou-se que o território da fantasia era um reduto exclusivamente masculino. A imagem do homem “visual”, que precisa de estímulos o tempo todo, e da mulher “romântica”, que só pensa em sentimentos, foi um dos maiores desserviços que nos venderam.

Mas, se tem uma coisa que a ciência e a liberdade sexual dos últimos anos nos mostraram, é o seguinte: fantasiar não é uma competição de gênero; é uma característica de uma mente saudável e curiosa.

Se a pergunta é “quem fantasia mais?”, a resposta honesta é: depende de como você pergunta e, principalmente, de quem se sente à vontade para admitir.

A conta que não fecha

Estudos em neurociência já demonstraram que, em termos de excitação física, homens e mulheres têm respostas muito semelhantes a estímulos sexuais explícitos. A diferença não está no desejo em si, mas na socialização e na liberdade de expressar esse desejo sem julgamento.

O homem, muitas vezes, aprendeu que fantasiar é “natural” e até um símbolo de virilidade. Ele pode ser visto como “garanhão” se contar que tem um acervo vasto de cenários na cabeça.

A mulher, por outro lado, cresceu ouvindo que seu lugar é de recato. Se ela fantasia “demais”, corre o risco de ser rotulada de “vulgar” ou “fácil”. O resultado? Muitas mulheres fantasiaram (e muito!) em silêncio por gerações, alimentando um mundo interno riquíssimo que ficava trancado a sete chaves.

O que a pesquisa diz?

Dados recentes, como os levantados por grandes plataformas de conteúdo adulto e estudos de comportamento, mostram que:

· Mulheres consomem tanta fantasia quanto homens, apenas muitas vezes preferem formatos que priorizam o contexto e a narrativa (como a literatura erótica) em vez do visual direto.

· O cérebro feminino responde com intensidade igual (ou maior) a estímulos imaginativos. A chamada “excitação espontânea” acontece para todos os gêneros.

· A diferença está na culpa. Enquanto os homens costumam fantasiar com menos peso moral, muitas mulheres ainda lidam com camadas de vergonha ao explorar suas imaginações mais profundas.

Fantasia é identidade, não gênero

Na coluna Sem Vergonha, a gente sabe que não existe régua para medir desejo. O que existe são pessoas livres e pessoas que ainda estão se permitindo ser livres.

Em vez de nos perguntarmos quem fantasia mais, que tal nos perguntarmos: como podemos criar um ambiente onde todos se sintam seguros para compartilhar (ou não) suas fantasias, sem medo de serem reduzidos a um estereótipo?

Tem homem que tem um mundo de fantasia tão vasto quanto tímido. Tem mulher que tem um roteiro na cabeça que daria uma série de sucesso. E tem todo mundo no meio, navegando entre o que se sente, o que se tem coragem de falar e o que se decide realizar.

A verdade é que a fantasia é a prova de que o sexo começa muito antes do toque. Ele começa no pensamento, na criatividade, na ousadia de se permitir imaginar.

E nesse quesito, não tem campeão. A menos que a gente considere vencedor quem tem coragem de abraçar a própria imaginação sem vergonha. Aí, a vitória é de quem se liberta.

E você? Já se perguntou quantas fantasias suas ficam apenas na sua cabeça por medo de julgamento? O problema não é fantasiar pouco ou muito. O problema é ter que fantasiar sozinho por não ter com quem dividir o roteiro.

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Sem Vergonha

Essa não é uma coluna pornográfica – longe disso. O casal João e Maria vai falar falar sobre sexo com respeito, leveza e sem rodeios, abordando os temas que fazem parte da vida de todas as pessoas, casais, homens e mulheres. Escreva pra nós: redacao@onorteonline.com