Se você respondeu “mulher”, respire fundo. Se respondeu “homem”, respire também. Porque a ciência e a vida real já mostraram que a monogamia não tem CPF nem gênero definido.
Por décadas, vendemos a ideia de que mulher é naturalmente fiel e homem é naturalmente dispersivo. Isso se chama construção social, não biologia. Estudos de traição, por exemplo, mostram que as diferenças entre os sexos existem, mas são muito menores do que o senso comum imagina — e variam mais conforme contexto, idade e valores do que conforme cromossomos.
O que acontece, na prática:
· Mulheres são socialmente pressionadas a serem mais contidas, leais e a administrar a “reputação sexual”. Isso as faz parecer mais monogâmicas, mas muitas vezes é sobrevivência social, não vocação.
· Homens ainda têm sua “escapadinha” romantizada em rodas de conversa, o que os torna mais confortáveis para admitir desejos fora da monogamia — ou mais coniventes com a própria infidelidade.
Mas quando você pergunta sobre desejo real de ter um único parceiro, sem julgamento, homens e mulheres respondem de forma bem parecida. Pessoas monogâmicas de verdade existem em todos os gêneros; pessoas não monogâmicas também.
O pulo do gato: não existe “mais monogâmico”. Existe mais treinado para esconder ou reprimir o que sente.
O que SEM VERGONHA propõe é: que tal a gente parar de medir fidelidade por gênero e começar a conversa por acordo? Monogamia não é dom natural — é escolha. E escolha, todo mundo faz, com mais ou menos vergonha na cara.