Você já ouviu essa frase: “Homem e mulher não podem ser amigos porque um dos dois sempre vai querer algo a mais”. Pois bem: isso é conversa velha, mal contada e, convenhamos, meio preguiçosa.
A ideia de que qualquer relação entre um homem e uma mulher tem que ter, no fundo, uma intenção sexual ou romântica — essa é a verdadeira “vergonha” aqui. Porque reduz pessoas inteiras a um único instinto: como se o tesão fosse uma força tão incontrolável que inviabilizaria qualquer outro tipo de conexão.
E aí entra o machismo estruturado. Por trás desse “não pode ser amigo” tem uma mistura de:
· desconfiança de que mulher é objeto de desejo primeiro, e ser humano depois;
· a crença de que afeto entre sexos diferentes é automaticamente um flerte;
· e, muitas vezes, a insegurança de parceiros(as) que não aprenderam a confiar.
Mas, com todo respeito: isso é furada.
Homens e mulheres podem, sim, ser amigos de verdade. Podem trocar ideia, desabafar, sair juntos, rir, brigar, fazer planos, dar presentes… sem que ninguém precise pegar ninguém. A amizade existe quando há respeito, limites claros e transparência — os mesmos ingredientes de qualquer amizade saudável, independentemente do gênero.
Claro que pode acontecer de um dos lados desenvolver sentimentos. Isso é humano. Mas aí se conversa, se administra e, se for o caso, se respeita o espaço do outro. Não é sentimento que destrói amizade — é falta de honestidade e de maturidade.
O que essa história de “não pode ser amigo” faz, na verdade, é isolar pessoas. Impede homens de terem amizades profundas com mulheres (que muitas vezes são ótimas ouvintes e conselheiras). E também impede que se construam relações que são simplesmente… boas. Leves. Sem segundas intenções.
Então, para a coluna SEM VERGONHA, o recado é: pode sim, libera geral, e faz bem. Ter amigos de outros gêneros amplia o mundo, ensina sobre empatia, desmonta preconceito e ainda deixa a vida menos careta.
Amizade não tem órgão genital. Tem coração. E coração não vê gênero.