João Pessoa, domingo, 16 de agosto de 2026
Paraíba ganha o Roteiro Paisagens & Tradição de Cruz do Espírito Santo
16/08/2026

A Paraíba tem se notabilizado como um dos destinos mais procurados pelos turistas brasileiros conforme dados dos principais buscadores de passagens aéreas e hotelaria. João Pessoa, a porta de entrada dos visitantes, vive, talvez, o seu melhor momento da história se formos comparar apenas as estatísticas da movimentação de passageiros que desembarcam e embarcam no Aeroporto Internacional Presidente Castro Pinto, localizado na Região Metropolitana da Capital. Dados da Aena Brasil – concessionária espanhola que administra o equipamento -, apontam que já passaram pelos portões até julho deste ano mais de 1,3 milhão de passageiros.

Como afirma um slogan da PBTUR – Empresa Paraibana de Turismo, “A Paraíba é muito mais do que sol e mar”, o Sebrae da Paraíba tem intensificado o processo de “descobertas” dos tesouros paraibanos que estão espalhados pelo seu território, utilizando como mão de obra especializada os ARTs, que são os Agentes de Roteiros Turísticos. Esses personagens mapeiam cidades, buscam informações e iniciam o processo de construção de um roteiro turístico utilizando o potencial que cada cidade, cada território, pode oferecer aos turistas. Juntam um combo com atrativos culturais, históricos, naturais e infraestrutura possível para acolher os visitantes.

Não é um trabalho fácil, é verdade, mas esses agentes têm apresentado resultados bastante positivos, carecendo apenas de alguns ajustes, que é um fator super natural quando se coloca frente a frente um dono de um engenho ou de um restaurante e um pequeno produtor rural ou artesão, que começam a assimilar a importância que têm na cadeia da economia criativa.

Na semana que passou, fomos conhecer um desses roteiros que estão quase saindo do papel. O Roteiro Paisagens & Tradição de Cruz do Espírito Santo, localizado na Região Metropolitana de João Pessoa, a 25 km da Capital, deve ser o próximo destino a ser colocado nas prateleiras das agências de viagem e dos guias de turismo, juntando o turismo religioso, de aventura, histórico, cultural, com trilha em plena Mata Atlântica, visita a dois engenhos instalados na região (Nobre e São Paulo), com direito de conhecer os métodos de produção e história das cachaças e fazer até degustação delas.

Esse roteiro está sendo formatado pelo ART Danylo Aguiar, que agendou a visita de jornalistas, agentes de viagem e guias de turismo a Cruz do Espírito Santo para vivenciar essa experiência. O roteiro teve início potencializando o turismo religioso. Foram visitadas as Igrejas da Batalha (patrimônio que se conecta com a história da cidade e a fé da região); Igreja Matriz (com um momento especial incrementado com uma apresentação cultural, valorizando a identidade e as tradições locais); e a Igreja de Santo Antônio, uma parada marcada por história, religiosidade e beleza. 

Nesses três momentos de pura reflexão e emoção, o condutor da região, Rafael Reginaldo, fez quase toda a sua apresentação em forma de cordel, o que abrilhantou ainda mais esse instante. Contou as histórias desde a invasão e a expulsão dos holandeses, o milagre das águas, quando a cidade foi inundada pelas águas do Rio Paraíba durante uma forte chuva, a resiliência do povo originário, entre outras curiosidades.

Após essa passagem religiosa, o roteiro leva os turistas a duas experiências totalmente diferentes, mas com o mesmo conceito e objetivo, a passagem pelos engenhos de cana-de-açúcar Nobre e São Paulo, dois equipamentos com histórias diferentes, mas complementares.

No Engenho Nobre, um dos destaques do turismo de experiência e da produção artesanal de cachaça de alambique na Paraíba. O grupo foi recebido pelo proprietário, o empresário e produtor Murilo Nobre. Durante cerca de duas horas de visita, Murilo explicou o processo de produção da cachaça que produz, fez algumas experiências do aroma e sabor das bebidas, e anunciou a ampliação do engenho, com dois novos atrativos para atender aos turistas, quando poderá oferecer degustação e um espaço que servirá como uma espécie de museu da cachaça que produz. O Engenho Nobre tem uma série de premiações nacionais, o que eleva o patamar da cachaça produzida no local.

Após essa experiência, o grupo fez uma visita ao Luna Centro Cultural para um almoço especial, unindo gastronomia e cultura em um ambiente cheio de identidade. A comida regional caiu super bem no gosto de todos, com direito a uma cocada maravilhosa e repetida para quem consumiu. No mesmo local, fizemos uma visita a uma mostra de artesanato, com produtos feitos pelos artesãos locais, que também estão sendo qualificados para atender os turistas.

A pausa para o almoçou também serviu de descanso, mas ainda havia muito mais o que conhecer. Partimos para o Engenho São Paulo, como citamos antes, uma proposta bem diferente do Nobre. Esse equipamento carrega o título de maior produtor de cachaça de alambique do Brasil e tivemos a oportunidade de conhecer toda a sua estrutura física, o processo de produção, muitas histórias da construção e consolidação, até o envazamento e colocação das garrafas nas caixas para a colocação no mercado.

Leonardo Fernandes, o empresário que nos recebeu, foi o responsável por contar quase toda a história do engenho, que é um empreendimento familiar e que tem como um de seus personagens José Lins do Rêgo, considerado um dos maiores nomes do Modernismo brasileiro e do Romantismo do Açúcar. O empresário revelou que já está em processo de envelhecimento 60 mil litros de rum que deve ser colocado no mercado em alguns anos. Conforme disse, esse rum é de excelente qualidade.

O empresário afirmou também que, por meio do Programa ICMS Cultural, do Governo do Estado, o engenho está passando por algumas intervenções em sua estrutura física para oferecer serviços de Gastronomia com almoço e degustação da cachaça, um museu que contará em fotos e vídeos toda a história do engenho e uma área para contemplação. Tanto no São Paulo, como no Nobre, essas visitas devem ser realizadas preferencialmente durante o recesso do processo de produção da cachaça, quando toda a sua estrutura estará passando por manutenção e limpeza.

No encerramento da visita, houve a apresentação do Grupo de Coco de Roda de Cruz do Espirito Santo, formado por mulheres, em sua maioria. O grupo já é uma tradição na região e fará parte desse roteiro, inclusive, o empresário do engenho anunciou que pretende criar uma forma de ajudar financeiramente. Uma reunião com os representantes de grupo e do engenho deve definir de que forma será esse apoio.

Após todos se “embriagarem” de conhecimento sobre a cachaça, nada melhor do uma bela caminhada. E foi isso que o grupo fez em plena Mata Atlântica. A Trilha na Mata de Santa Luzia Natureza, como prometeram é, realmente, uma grande aventura. O percurso é novo, por isso, carece de um pouco mais de atenção até mês daqueles que têm alguma experiência. Como choveu forte nos dias anteriores à visita, a trilha se tornou um desafio ainda maior, porque havia muita lama e até galhos de árvores caídos, o que foi um dificultador a mais. Foram quase 5 km de percurso – estavam previstas apenas 3 km -, mas tudo encarado de forma bastante de boa por todos.

O grupo encerrou a trilha já no começo da noite, o que impediu de encerrar, como havia sido previsto, na Cachoeira de Santa Luzia, para um banho opcional, em um cenário encantador, para renovar as energias e apreciar as belezas naturais da região. E também uma visita à Igreja de Santa Luzia, assim como as outras, um patrimônio cultural e religioso belíssimo.

 Fotos: Divulgação/Sebrae e TF

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