sexta-feira, 27 de março de 2026
Para quem só vê defeitos: o jornalão francês L’Équipe elogia e desmonta críticas ao Brasil
27/03/2026

O contraste é gritante. De um lado, a Espanha aponta um Brasil em crise profunda. Do outro, a França descreve um adversário duro, respeitável e ainda temido.

Mais cedo, na coluna de hoje, listei 30 críticas duras feitas pelo jornal espanhol As à seleção brasileira. Era praticamente um raio-x impiedoso, que expunha falhas coletivas, individuais e até uma certa perda de identidade do time. Um retrato ácido, quase sem concessões.

Mas bastou cruzar a fronteira editorial para encontrar um olhar completamente diferente. Na capa desta sexta-feira, o L’Équipe, principal jornal esportivo da França, estampa sobre a vitória por 2 a 1: “Ça Rigole” — expressão que, em tradução livre, pode ser entendida como “isso está divertido” ou, no tom mais adequado ao contexto, “isso está pegando fogo”. Um título que traduz leveza, confiança e até certo prazer pelo espetáculo.

A mensagem é clara: para os franceses, não houve massacre, nem superioridade absoluta. Houve jogo. E jogo grande. Foi mais ou menos o que ponderei na própria postagem crítica dos espanhóis. Foi mais ou menos o que contestei na postagem crítica dos espanhóis.

Ao contrário da leitura espanhola, o L’Équipe enxerga um Brasil competitivo, capaz de dificultar a vida de uma das seleções mais fortes do mundo. Não há qualquer traço de desprezo. Pelo contrário: há respeito.

Veja como o jornal francês avaliou o Brasil:

            1.         Brasil foi competitivo

Mesmo em um cenário complicado, a seleção brasileira resistiu, marcou e esteve dentro do jogo. Não foi dominada.

            2.         Derrota não diminui o peso do confronto

A vitória francesa é tratada como “de prestígio”, reforçando o tamanho histórico do Brasil.

            3.         Brasil criou dificuldades reais

A França enfrentou problemas em vários momentos, sinal de que o Brasil competiu em alto nível.

            4.         Ataque brasileiro incomodou

Os franceses precisaram se ajustar defensivamente, prova de que o Brasil conseguiu pressionar.

            5.         Faltou eficiência

O Brasil teve volume em certos momentos, mas não converteu em resultado.

            6.         Oscilações durante o jogo

A equipe alternou bons e maus momentos, o que impediu maior controle.

            7.         França mais organizada coletivamente

O destaque ao jogo coletivo francês evidencia um ponto: o Brasil ainda busca essa engrenagem.

            8.         Brasil segue como referência

Mesmo derrotado, continua sendo tratado como uma das grandes seleções do mundo.

            9.         Vitória francesa exigiu adaptação

Não foi simples. A França precisou ajustar seu jogo para vencer.

            10.       Time competitivo, mas ainda irregular

A síntese francesa é clara: o Brasil é forte, mas ainda precisa de consistência.

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