O contraste é gritante. De um lado, a Espanha aponta um Brasil em crise profunda. Do outro, a França descreve um adversário duro, respeitável e ainda temido.

Mais cedo, na coluna de hoje, listei 30 críticas duras feitas pelo jornal espanhol As à seleção brasileira. Era praticamente um raio-x impiedoso, que expunha falhas coletivas, individuais e até uma certa perda de identidade do time. Um retrato ácido, quase sem concessões.
Mas bastou cruzar a fronteira editorial para encontrar um olhar completamente diferente. Na capa desta sexta-feira, o L’Équipe, principal jornal esportivo da França, estampa sobre a vitória por 2 a 1: “Ça Rigole” — expressão que, em tradução livre, pode ser entendida como “isso está divertido” ou, no tom mais adequado ao contexto, “isso está pegando fogo”. Um título que traduz leveza, confiança e até certo prazer pelo espetáculo.
A mensagem é clara: para os franceses, não houve massacre, nem superioridade absoluta. Houve jogo. E jogo grande. Foi mais ou menos o que ponderei na própria postagem crítica dos espanhóis. Foi mais ou menos o que contestei na postagem crítica dos espanhóis.
Ao contrário da leitura espanhola, o L’Équipe enxerga um Brasil competitivo, capaz de dificultar a vida de uma das seleções mais fortes do mundo. Não há qualquer traço de desprezo. Pelo contrário: há respeito.
Veja como o jornal francês avaliou o Brasil:
1. Brasil foi competitivo
Mesmo em um cenário complicado, a seleção brasileira resistiu, marcou e esteve dentro do jogo. Não foi dominada.
2. Derrota não diminui o peso do confronto
A vitória francesa é tratada como “de prestígio”, reforçando o tamanho histórico do Brasil.
3. Brasil criou dificuldades reais
A França enfrentou problemas em vários momentos, sinal de que o Brasil competiu em alto nível.
4. Ataque brasileiro incomodou
Os franceses precisaram se ajustar defensivamente, prova de que o Brasil conseguiu pressionar.
5. Faltou eficiência
O Brasil teve volume em certos momentos, mas não converteu em resultado.
6. Oscilações durante o jogo
A equipe alternou bons e maus momentos, o que impediu maior controle.
7. França mais organizada coletivamente
O destaque ao jogo coletivo francês evidencia um ponto: o Brasil ainda busca essa engrenagem.
8. Brasil segue como referência
Mesmo derrotado, continua sendo tratado como uma das grandes seleções do mundo.
9. Vitória francesa exigiu adaptação
Não foi simples. A França precisou ajustar seu jogo para vencer.
10. Time competitivo, mas ainda irregular
A síntese francesa é clara: o Brasil é forte, mas ainda precisa de consistência.