Meditando sobre a passagem dos Evangelhos, que fala do envio dos discípulos por Jesus para a missão, em dupla, fiquei a imaginar essa unidade de missionários, nos tempos atuais, entre padre e diácono.
Cada um com seu carisma, pois padres e diáconos têm funções distintas, sendo unidos pelos mesmos objetivos de servir à comunidade, no seguimento a Jesus.
Servindo na mesma paróquia desde a ordenação diaconal no ano de 2010, diversas vezes escutei referências de fiéis sobre o nosso trabalho pastoral, junto com o padre, a quem somos profundamente gratos pelas orações. Os fiéis observam o padre e o diácono executando funções litúrgicas e pastorais em cadência espiritual. Conforme nos ensina Jesus, quando mandou seus discípulos mundo afora, para levar a mensagem evangélica a todos os recantos, essa unidade é fundamental, mesmo com culturas diferentes.
Assim deve ser. Um não é maior do que o outro, ambos trabalhando no serviço à Igreja, servindo aos fiéis.
Penso e imagino desse modo, e assim devemos nos comportar enquanto diáconos. Olhando na mesma direção que aponta o Evangelho, obedecendo as normas prescritas pela Igreja para a atuação de cada um.
Nos Evangelhos de Marcos (7,12), Mateus (10, 5-15) e Lucas (9, 1-6), Jesus faz as escolhas e deixa claro a missão dos discípulos. Mais tarde, com a expansão do número de fiéis, as comunidades pedem uma maior presença destes. Foi quando escolheu os sete primeiros diáconos para o atendimento às comunidades, enquanto os Apóstolos andavam por outros lugares.
Estar juntos, dois a dois, é sinal de unidade e adesão mútua ao projeto de evangelização da Igreja, porquanto, de Jesus Cristo. Nos tempos atuais isso pode se repetir com abundantes bênçãos e realizações entre padres e diáconos. Desse modo, formando comunidade de comunidades, a Igreja familiar, de que tanto falou o Papa Francisco e que o Papa Leão reafirma essa necessidade.
Jesus mandava não existir superioridade hierárquica entre os seus enviados, nem sinal de riqueza e, mas sobretudo, contribuíssem para frutificar a solidariedade e a caridade.
No Documento de Aparecida, assinala que o diaconato é, “junto com o presbiterato e o episcopado, um ministério de comunhão”. Aponta que um diácono permanente isolado perde completamente o sentido de vida de diácono. Para viver a plenitude de seu ministério, faz-se necessário o cultivo da fraternidade entre todos do clero, esmerada e abundante no servir. Depois, essa unidade se estenda aos fiéis para viver essa tripla unidade.
Assim. como àquela época, hoje, padres e diáconos devem dar atenção às necessidades do povo, despertar a solidariedade e a humanidade baseada na força da fé de cada um.
Que padres e diáconos, diante de tantos desafios, possam em conjunto, exercitar a compaixão-misericórdia para além das palavras, sempre buscando alternativas baseadas nas Palavras de Jesus.
Juntos estendam as mãos no acolhimento, saciando a sede de fé das pessoas. Que cada um, com seu jeito, nunca dispense as pessoas com a alma vazia. Dar o alimento espiritual é um gesto que diácono e padre podem executar no comprometimento com a solidariedade.
Essa unidade refletimos no meu livro “Bendito Fruto”, que aborda a caminhada dos diáconos na Paraíba, a partir de seu restabelecimento pós-Vaticano II.
O Arcebispo Dom Manoel Delson tem revelado apreço pelos diáconos, estimulado estes ministros ordenados a prosseguirem na caminhada mesmo diante de desafios, compartilhando a missão com a família para o crescimento juntos. Igualmente ressalta o papel de proximidade de cada um na comunidade, vivendo a unidade pastoral com os presbíteros. Como a pedir ânimo e proximidade, buscando evitar inquietação, sempre com disponibilidade generosa.
Nos gestos de cada um, padre e diácono, seguindo as orientações da Igreja para a missão paroquial, sejam bons-pastores, servos para mostrar a solidariedade do pão da Palavra e, na partilha, a distribuição do pão espiritual.
Ao padre cabe abençoar o banquete eucarístico, pois é sua função, enquanto que ao diácono, este possa ajudar na sua distribuição.
Como a dizer, um ao outro: nós mesmos vamos recolher as ovelhas e dar de comer do pão que alimenta a alma.