A final da Copa do Mundo entre Espanha e Argentina terminou com uma outra disputa no palco da premiação. Donald Trump, que participou da entrega de medalhas e da taça ao lado de Gianni Infantino, foi ignorado por Cristian Romero, recebeu cumprimentos frios de outros jogadores e acabou alvo de uma imitação durante a comemoração do título espanhol.
Quando o carro dobrou em direção ao Cosme Velho, eu soltei o cinto e abri esse vídeo com a concentração de quem vai assistir ao último capítulo de uma novela. Porque Trump estava ali, cercado de protocolo, chefes de Estado e câmera do mundo inteiro, mas alguns jogadores decidiram que a mão dele não era parada obrigatória.

O caso mais claro foi o de Cristian “Cuti” Romero. O zagueiro argentino recebeu a medalha de vice-campeão, passou por Trump sem aperto de mão e sem contato visual, cumprimentou Gianni Infantino, o primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney, e a presidente do México, Claudia Sheinbaum. O gesto repercutiu porque Trump estava bem no meio do caminho.
Lisandro Martínez também teve uma passagem gelada pela fila. O defensor argentino cumprimentou Trump de maneira breve, sem qualquer troca mais calorosa, e seguiu o protocolo. Não foi um vácuo como o de Romero, mas ficou longe de uma interação amistosa.
Eu subi a ladeira com o celular na mão, sem responder às mensagens acumuladas, porque esse tipo de cena tem uma estética muito particular. Não tem grito, não tem dedo na cara, não tem entrevista coletiva incendiária. Tem o silêncio calculado de quem escolhe dar um aperto de mão de geladeira e seguir adiante.
Do lado espanhol, Borja Iglesias não fez questão de esconder o desconforto. Ele cumprimentou Trump de forma rápida, quase sem olhar, e partiu para receber a medalha. Antes da final, o atacante havia ironizado que cumpriria o protocolo para não “ir parar na prisão” e torcia para que aquilo passasse depressa, para poder esquecer.