Hoje, 22 de março de 2026, estive no Allianz Parque para acompanhar a vitória do Palmeiras sobre o Vitória por 6 a 0, pelo Campeonato Brasileiro feminino. Os gols foram marcados por Tainá Maranhão, Espinales, Bia Zaneratto, Glaucia, Carla Tays e Victória Liss. Mas, para além do resultado, o que mais me chamou a atenção foi o público presente no estádio.
Não era, claramente, o mesmo público que costuma ir aos jogos do masculino.
Digo isso porque não encontrei praticamente nenhum conhecido e também pela grande quantidade de crianças com suas famílias, muitas ainda quase em idade de colo. Essa imagem, por si só, já revela muita coisa e reforça uma percepção que venho sustentando faz tempo: o palmeirense não aceitou os jogos em Barueri. E não vai até lá, salvo em partidas decisivas do masculino.
Não se trata de falta de interesse.
Trata-se de uma questão sobre acesso. Trata-se de deslocamento, de custo, de tempo e de tudo aquilo que pesa no cotidiano de quem quer ir ao estádio. Porque ir ao jogo não é só pagar o ingresso. Há transporte, alimentação, estacionamento e toda a logística que envolve sair de casa para viver uma partida no estádio.
Por isso, os jogos do feminino em casa, e não em Barueri, representam a chance de muitas pessoas conhecerem o estádio, verem uma partida ao vivo e a cores no campo e criarem uma relação mais próxima com o clube. Para muitas famílias, é a oportunidade real de viver o Allianz por um valor que conseguem pagar. E isso faz toda a diferença.
Antes de encerrar, quero registrar um fato que me chamou muito a atenção depois do jogo. Quando as jogadoras foram saudar a torcida, algumas subiram para tirar fotos, o que normalmente aproxima e estreita laços.
Mas havia uma menininha chorando muito, muito brava, porque não conseguiu a foto que queria, com a sua jogadora favorita. Devia ter uns cinco anos. Estava desolada porque a ídola dela não deu atenção. E não adiantava o pai dizer que no outro jogo ela conseguiria.
Pode parecer algo trivial para a atleta, sem maiores consequências, virar as costas e deixar de tirar uma foto. Mas, para aquela menininha, fez uma diferença profunda. Para ela, aquilo era tudo, naquele momento.
E estive lá também para falar com minhas clientes, que estavam em campo pelo rubro-negro, após o jogo, já que não sei se consigo ir lá vê-las jogarem em casa. Porque o futebol também é isso: resultado, torcida, vínculo e histórias que continuam mesmo depois do apito final