A poderosa Rafaela Pimenta, herdeira do império de Mino Raiola e empresária de astros como Erling Haaland e Paul Pogba, resolveu cutucar o mercado com uma comparação polêmica. Ao questionar por que o jovem mexicano Gilberto Mora não poderia valer os mesmos £ 70 milhões de um Endrick ou Estêvão, alegando que a Liga MX não é tão inferior ao Brasileirão, ela comete um erro clássico de quem tenta inflacionar o próprio produto.
O futebol europeu não paga fortunas pelo “tamanho da liga”, mas pela probabilidade de sucesso. O preço de um garoto de 16 anos é o reflexo do seu teto de potencial e do histórico de quem o forma.

O Brasil não vende caro porque o nosso campeonato é perfeito, mas porque produz protagonistas de Champions League em série. Enquanto o México ainda vive da saudade de Hugo Sánchez e do brilho intermitente de Chicharito Hernández, o Brasil despeja no mercado mundial jogadores que, aos 18 anos, já estão prontos para decidir jogos nos maiores palcos do planeta.
Rafaela, que também agencia o mexicano Santiago Giménez, sabe que o “selo Brasil” é uma garantia de retorno técnico e financeiro que o mercado mexicano ainda não conquistou. Tentar nivelar o preço de uma promessa do Tijuana com joias que já saem daqui com status de “vencedores de Libertadores” é ignorar a realidade da bola. O talento individual e o DNA exportador de uma nação pentacampeã têm um preço — e ele não é definido por tabelas de comparação de ligas, mas pelo peso da história e pela certeza do craque que o mundo inteiro quer ver.