quarta-feira, 28 de janeiro de 2026
O mundo das lendas
27/01/2026

Já andei muito por esse mundão sem porteira. Quem não anda fica com a curiosidade escondida, como o cego sem rumo. Cobra que muito anda ou engole cobra ou leva cacete. Assim diz o dito popular.

E foi daí que recomecei a leitura de Câmara Cascudo e descobri as lendas, que são muitas e variadas, dependendo da região onde se vive. Todos os povos isolados criam suas lendas e acreditam nelas como quem reza diante de uma estátua e acredita que o Santo escuta seus rogos.

Cascudo é um mestre nessa arte do folclore.

Nas minhas andanças acabei indo morar no Acre, um lugar distante, desconhecido para mim e muito misterioso. Lá convivi com um povo bacana, tanto os da cidade de Rio Branco, como os da floresta.

Um dia conheci o jornalista Zé Leite Chalub, um historiador local. E lhe perguntei sobre a lenda do Boto. A lenda conta que o Boto nas noites de São João sai da água e se transforma em um rapaz bonito, sempre usando um chapéu, muito elegante e gentil.

Zé Leite me explicou que o negócio funciona da seguinte maneira: as mulheres casadas podem engravidar; as solteiras, não. Assim, as moças namoram, engravidam e botam a culpa no pobre do Boto.

E Zé ainda completou: “Cada qual com sua desculpa”.

Né verdade?

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Zé Euflávio
Zé Euflávio

Zé Euflávio é um dos jornalistas mais respeitados da Paraíba, com passagens também pelo Correio Braziliense.