
Sexta-feira em Sintra, almoço com as amigas aqui em casa no Labeloura chegando ao fim, a gente já naquela fase do café com o último gole de vinho, quando a chamada de vídeo do Brasil caiu com a notícia: Gustavo Mioto vai para o cinema. Larguei a xícara no meio da frase de alguém. Eu tenho uma queda assumida por esse homem, acho lindo, carismático e dono de um charme que já transborda em palco de festival, então imagina aquilo numa tela do tamanho de uma parede. Virei o celular para a mesa e o almoço acabou ali, todo mundo assistindo ao trailer.
“Inconfundível Tour” é o filme do show que estreia nos dias 30 de outubro e 1º de novembro em mais de 100 salas pelo Brasil, com distribuição da ELO Studios. As sessões serão no formato sing along, com a letra das músicas na tela para o público cantar junto, e a direção é do próprio Mioto em parceria com Leandro Saucer. O trailer saiu nesta quinta, dia 1º, com exclusividade na Ingresso.com.
Agora vem a parte que me ganhou. Ele não foi para o óbvio de juntar os maiores sucessos e chamar de filme. O registro é do show que ele mesmo diz ser o preferido, com espaço para as músicas que a turma dele chama de injustiçadas, aquelas que nunca foram single e mesmo assim viraram coro. Nas apresentações da turnê, “Geladeira”, “Fim do Mundo”, “Excitante” e “Flashback” dividiram o repertório com “Despedida de Casal”, “Pro Nosso Bem” e “Fake News”. E o nome tem história: “Inconfundível” já batizava o DVD que ele lançou em agosto de 2021, aquele de “Restrição Sentimental” com Marília Mendonça. “É o meu show preferido”, disse o cantor, e eu acredito, porque ninguém leva lado B para o cinema por acaso.
O dinheiro por trás é uma estreia também. O filme é a primeira parceria entre a ELO Studios, a MUV Capital, que investe em indústria criativa, e a Fora de Moda Produções Artísticas, que cuida da carreira dele. O material de divulgação ainda colocou o projeto na mesma frase de “Taylor Swift: The Eras Tour”, que faturou US$ 267 milhões no mundo, e do filme do BTS, que passou de US$ 50 milhões. Comparação ousada, eu sei, mas Mioto tem como bancar a ambição: são mais de 4,5 bilhões de visualizações no YouTube, 4,6 bilhões de streams no Spotify, 16 músicas acima de 100 milhões de plays e um show que já reuniu 79 mil pessoas. Os clubes de fãs, segundo a própria produção, vão ser mobilizados de forma coordenada pelo país, o que em português de gente quer dizer sala cheia e gente chorando no refrão.
A cronologia é esperta. A turnê nasceu em 2025 como a versão de mesa e cadeira do Mioto, com arranjo repensado e clima de teatro, correndo em paralelo à Tour Atemporal dos festivais e grandes eventos. O cinema chega duas semanas antes do dia 14 de novembro, quando ele apresenta o Inconfundível no Espaço Unimed, em São Paulo, na única data ao vivo desse show neste ano. Quem cantar no escurinho da sala vai sair de lá com vontade de ver de perto, e eu duvido que isso seja coincidência.
Aqui em Sintra não passa sessão nenhuma, então a sobremesa ficou esquecida na mesa enquanto as minhas amigas pediam o trailer de novo, e eu, que sou educada, dei play quantas vezes fosse preciso.