O Gama e Melo me deu asas para voar
06/03/2026

No alto da memória ainda vejo
as paredes claras do velho Grupo,
o Gama e Melo de Princesa,
onde as letras nasceram
como passarinhos no caderno.
Ali comecei o mundo.
Era a sala da professora Maria Ramos,
sapiência na cabeça
e uma régua na mão,
que servia menos para bater
e mais para lembrar
que o saber também exige disciplina.
Entre um bê-á-bá e outro,
ela plantava palavras
como quem semeia feijão no inverno,
sabendo que um dia
brotariam em poesia.
Eu era menino ligeiro de leitura.
Mal saí do Jardim de Infância
e já me mandaram voar mais alto:
pulei para a segunda série
porque as letras me chamavam depressa
e os versos já pediam voz.
Lembro-me de declamar na sala
com o coração batendo na garganta,
como se cada palavra
fosse uma porta se abrindo.
O Grupo, como nós dizíamos,
não era apenas escola:
era porto de partida.
Ali ganhamos chão
para pisar firme na vida
e asas para enfrentar o mundo.
Hoje, quando olho para trás,
vejo aquele menino
saindo pelo portão azul
com um caderno de sonhos debaixo do braço.
E lá no pátio do Gama e Melo,
entre mangueiras e risadas de recreio,
pardais e colibris
ainda procuram poesia.
Viva o Gama e Melo,
centenário de luz e de lembrança,
de onde um menino de Princesa
aprendeu as primeiras letras
e saiu voando pela vida.

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