O bom de nascer no interior é que a gente tem histórias bobas para contar. O mito do Paraíso Perdido é o da infância. Não há outro. Porque teve aquele dia em que um filme chamado A Chegada do Homem à Lua, feito pela NASA, chegou à Vila de Sant’Ana do Garrote.
Um carro de som passou a sexta-feira rodando e anunciando a novidade, que seria mostrada no Ginásio de Leni. Mané Piçarra, um negro velho que quase não saia de casa, chamou dona Tertulina Caíca, sua esposa, para assistir a novidade.
O filme começava mostrando o movimento de Rotação e Translação da Terra. Piçarra viu o filme e ia saindo, quando encontrou com Geraldo Sabiá. Sabiá perguntou a Piçarra:
- Gostou do filme, Piçarra?
- Tem muita mentira, Geraldo. Porque se a Terra rodasse, Santana passava em Patos, em São Paulo, e em Brasília, onde mora meu filho Negrozinho. Geraldo a Lua é de São Jorge. Quem for lá não volta; e se voltar, é porque não foi. Entenda, viu…
