Bom dia, não consegui dar um bom título. Aceito sugestão.
A recente declaração do presidente do Flamengo, Luiz Eduardo Baptista, também chamado de Bap, expôs mais uma vez a tensão entre dirigentes e imprensa esportiva, especialmente quando o debate envolve o futebol feminino.
Durante uma apresentação de resultados do clube, nessa terça-feira, 23 de dezembro de 2025, ao rebater críticas sobre investimentos e estrutura no feminino, o dirigente fez referência a uma jornalista da Globo de forma ofensiva e ligada à aparência física. Ele a chamou de “Nariguda”, gesto que rapidamente ganhou repercussão negativa.
A questão vai além da troca de farpas: evidencia o quanto o ambiente esportivo ainda tem dificuldade em lidar com questionamentos feitos por jornalistas mulheres, sobretudo quando apontam falhas estruturais.
A resposta do meio do futebol feminino e também de parte da imprensa reforçou que a crítica ao trabalho jornalístico, como de qualquer outra atividade, é legítima. No entanto, não se pode manter a característica nacional de buscar desqualificar alguém por características pessoais, que não contribuem para o debate, ao invés de discutir a ideia.
No centro dessa questão deveria estar uma pauta essencial: qual é, de fato, o compromisso dos grandes clubes com o desenvolvimento do futebol feminino? Se é que existe, pois para muitos continua a ser visto apenas como uma simples obrigação para dar condições de jogo para o masculino disputar algumas competições.
Quando a crítica é recebida com naturalidade e respondida com dados, o debate avança. Quando se transforma em ataque pessoal, os problemas apontados parecem ganhar ainda mais força e o foco se desloca do campo para o comportamento.
Uma questão a ser considerada é por que as televisões não pagam para transmitir as competições esportivas femininas e por que colocam essas competições em horários alternativos, o que não ajuda a viabilizar financeiramente o esporte feminino. Além disso, por qual razão os clubes, que faturam sentenças de milhões de reais, quando não bilhões, insistem em tratar o futebol feminino como apartado do masculino, visando reduzir custos e investimentos.
Sempre é bom lembrar que não existe modalidade feminina, só existe a modalidade futebol. Que pode ser praticado por mulheres ou por homens, mas é tudo futebol.