terça-feira, 3 de fevereiro de 2026
O discurso do fim dos tempos
01/02/2026

As vozes que anunciam o fim

não falam do mundo —

falam de si.

Misturam fé com poder,

medo com conveniência,

e erguem altares

sobre ruínas imaginadas.

Dizem que o mal cresceu,

que as pessoas pioraram,

mas esquecem as guerras antigas,

as fogueiras,

a escravidão,

os abismos que cavamos

muito antes de hoje.

O discurso do caos

sempre tem dono.

Alguém lucra com o medo,

alguém se assenta no trono

dos escombros anunciados.

E eu pergunto,

no silêncio que resta:

Quem decide

quem é Cristo?

Quem aponta

o Anti-Cristo?

Talvez o fim dos tempos

não seja profecia —

seja estratégia.

E o mundo,

apesar de tudo,

continue pedindo

o mesmo de sempre:

menos medo,

mais lucidez.

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