Como homenagear um goleiro? Ele não faz gol, não é artilheiro. E se não foi Campeão, então, é facilmente esquecido. Muitas vezes faz grandes jogos. Mas se falhar é o culpado pela derrota. É uma posição muito ingrata no futebol. No Brasil, o dia 26 de abril é dedicado aos goleiros.
Pois essa é a minha missão, a pedido da família de um ex-goleiro do nosso querido Botafogo nos anos de 1959 e 1960. A informação dada é que ele tinha jogado por essa época. Pois vamos lá ao que descobri na minha pesquisa à Memória do Botafogo Paraibano.
Vindo de Sousa, sertão da Paraíba, onde nasceu em 28 de abril de 1940, completando 86 anos na próxima semana, FERNANDO CARLOS RODRIGUES DOS SANTOS aqui chegou aos 16 anos. Foi treinar no Botafogo e aos 18 anos já jogava no time principal.
Mas teve que se dividir entre o Exército, a quem serviu em 1958, e o Botafogo Futebol Clube.
Chegou ao Botafogo num momento de crise do Clube, que estava retornando ao Campeonato Paraibano em março de 1959, depois de ter se afastado da competição no ano anterior, por ter brigado com a FPF. E nesse retorno, o nosso goleiro passava a ser Fernando Rodrigues. Estou insistindo com o sobrenome porque nos anos 60 tivemos 3 goleiros com o nome Fernando, quais sejam: Rodrigues, Freire e Cavalcanti. Mas todos eram chamados de Fernando, cada um à sua época. Não havia choque entre os Fernandos porque foram atletas do nosso Botafogo em anos diferentes dessa década.
Fernando Rodrigues jogou com Betinho, com Bira, com Prince, com Berto, com Rui, com Zé Luiz, com Evilásio, e com outros grandes craques.
Não conseguiu ser Campeão nos quase dois anos em que jogou no nosso Clube. Mas fez jogos memoráveis, fez defesas que garantiram várias vitórias. Nesses quase dois anos de Botafogo Paraibano, Fernando fez um total de 63 jogos como titular, chegando a jogar contra fortes equipes do futebol brasileiro, tendo ótimas participações contra o Vasco da Gama de Barbosa, Beline e Orlando. Enfrentou o Bonsucesso e o Madureira cariocas. Enfrentou também o Botafogo carioca com Manga, Nilton Santos, Garrincha, Didi e Quarentinha. Além dos fortes times adversários locais. Em todos esses jogos, Fernando Rodrigues sempre teve boas atuações.
Fernando Rodrigues é irmão do saudoso desportista Totonho – Antonio Carlos Rodrigues dos Santos, antigo professor de Educação Física e técnico de Basketball. Se vangloria, Fernando, por ter sido capa da Revista Placar, no final dos anos 50. Mas o tempo não conseguiu manter intacta sua revista.
Nessa época em que era goleiro do Botafogo, Fernando casou com Waldenice Nunes e desse casamento nasceram Livia e Márcia. Separado, foi morar em São Paulo, quando conheceu Maria Emília Binas e com ela nasceram Fernando Júnior, Fernanda e Marcella. No terceiro casamento, com a senhora Socorro Alves, sua esposa atual, companheira desde 1985, não teve filhos. Segundo Fernanda, seu pai é corretor de imóveis ainda atuante, aos 86 anos.
Assim, agradecemos a nosso grande goleiro Fernando Rodrigues dos Santos – o nosso Fernando – por tudo o que fez por nosso Clube.
Sinta-se homenageado, Fernando, não só pelo amor e carinho de seus filhos, mas também por toda a torcida Botafoguense, por teu aniversário nesta semana, no próximo dia 28. Afinal, o fato de ter feito 63 jogos como goleiro titular do Maior Time da Paraíba por si só justifica essa homenagem.
Por isso, receba, em nome de todos os goleiros que já passaram por nosso Clube, a medalha virtual com o nome de *SEVERINO DOS RAMOS LINS* – nosso Nininho – o maior ídolo da história desse Clube.
*Futebol não é só nas 4 linhas…*
