Ao ler a manchete — PM flagra motorista de Magno Malta filmando o contorno da Papudinha — pensei logo em importunação. Porque, convenhamos, filmar o contorno da papudinha sem consentimento é ousadia demais até para quem anda pelos subterrâneos políticos de Brasília. No meu tempo, papudinha — fosse qual fosse — exigia respeito, cuidado e autorização por escrito.
Mas o sujeito apontou a câmera achando que fazia turismo institucional. Registrou o que não devia, no ângulo que não podia, e acabou criando a única filmagem capaz de mobilizar PM, gabinete e Supremo com a mesma careta. No fim, sobrou a dúvida moral e topográfica: quem é que tem coragem de registrar o contorno da papudinha — qualquer papudinha — sem antes pedir licença à dona do contorno?
