Neymar vale hoje o equivalente a um jogador de Série B? Os números dizem que sim
26/04/2026

Há uma ironia pronta, quase irresistível, circulando no noticiário econômico do futebol. Segundo levantamento publicado pelo InfoMoney, com base nos dados do Transfermarkt, Neymar hoje tem valor de mercado estimado em 10 milhões de euros. Sim, o mesmo patamar em que orbitam jovens promessas e jogadores em ascensão da Série B do Campeonato Brasileiro.

A frase é forte, chama atenção e foi feita exatamente para isso. Mas ela não é chute, nem provocação gratuita. É técnica. É número. É planilha. E, como toda planilha, conta apenas uma parte da história.

O dado cru é esse: Neymar despencou de um ativo de 220 milhões de euros – valor pago pelo Paris Saint-Germain ao Barcelona em 2017, a maior transferência da história do futebol – para apenas 10 milhões em menos de uma década. Uma queda brutal de 95% em cerca de oito anos. Não há maquiagem possível nesse número.

Mas é preciso entender o que exatamente está sendo medido. O Transfermarkt não avalia legado, talento bruto ou capacidade de decidir jogo. Ele estima valor de revenda. E, nesse quesito, Neymar virou um ativo de baixo giro. Aos 34 anos, com histórico recente de lesões e atuando novamente no Brasil, o mercado europeu já não o vê como um investimento com potencial de lucro futuro. É simples assim.

Por isso, quando se diz que Neymar “vale o equivalente a um jogador de Série B”, o que se está dizendo, na prática, é que ele vale o mesmo que um jovem que ainda pode ser comprado barato e vendido caro depois. É uma lógica fria, quase desumana, mas absolutamente coerente dentro do mercado.

Só que aí entra o detalhe que, de alguma forma, bate de frente com a nossa manchete. Neymar pode ter perdido valor de transferência, mas segue sendo um dos maiores ativos comerciais do futebol mundial. Sua capacidade de gerar receita – com patrocínios, audiência, engajamento e exposição global – está em uma prateleira completamente diferente da de qualquer jogador da Série B. E isso não aparece na conta do Transfermarkt.

É o velho paradoxo do futebol moderno: o jogador pode não valer muito para comprar, mas vale demais para ter.

No caso do Santos, por exemplo, o retorno de Neymar não se mede apenas em campo ou em eventual revenda. Ele se mede em contratos, visibilidade, marca e atenção mundial. É um ativo que não cabe na lógica puramente esportiva.

A comparação serve mais como provocação do que como diagnóstico. Neymar não virou um jogador de Série B. Ele virou outra coisa: um ativo que já não faz sentido como investimento de mercado, mas continua sendo gigante como produto global.

E talvez esse seja o ponto mais incômodo de todos: no futebol de hoje, nem sempre quem vale mais é quem custa mais.

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