Em meio à crescente repercussão do caso de abordagem sexual não consentida ocorrida no Big Brother Brasil 26, o psicólogo Filipe Colombini chama atenção para a confusão frequente entre comportamentos abusivos e diagnósticos de transtornos mentais.
No episódio em questão, o ex-participante Pedro Henrique Espindola deixou o programa após relato de tentativa de beijo à revelia da vítima por parte de outra participante, Jordana. A Polícia Civil abriu inquérito para apurar a possível importunação sexual, com análise de imagens e oitiva das partes envolvidas.
“Não se pode confundir ato ofensivo ou comportamento socialmente reprovável com transtorno mental. A tentativa de forçar contato físico sem consentimento é uma conduta que pode ter explicações sociais, culturais e éticas mas não é, em si, um indicativo de doença mental”, afirma o especialista.
Para ele, é fundamental que a discussão pública sobre fatos como esse se mantenha no campo da responsabilidade individual e da educação emocional, sem patologizar condutas que são, antes de tudo, violação de limites e de direitos da outra pessoa.
“É preocupante quando se usa a categoria de transtorno mental de forma genérica para explicar comportamentos inadequados ou até criminosos. Isso, além de estigmatizar pessoas com condições de saúde mental,também desvia o foco da responsabilização”, observa Colombini.
A posição do psicólogo reforça que transtornos mentais são diagnósticos clínicos que exigem avaliação rigorosa por profissionais da saúde qualificados e não podem ser utilizados como rótulos simplistas em contextos midiáticos.
Mais sobre Filipe Colombini: psicólogo, especialista em orientação parental e atendimento de crianças, jovens e adultos. Especialista em Clínica Analítico-Comportamental. Mestre em Psicologia da Educação pela Pontifícia Universidade Católica (PUC-SP). Professor do Curso de Acompanhamento Terapêutico do Grupo Interdisciplinar de Estudos de Álcool e Drogas – Instituto de Psiquiatria Hospital das Clínicas (GREA-IPq-HCFMUSP). Professor e Coordenador acadêmico do Aprimoramento em AT da Equipe AT. Formação em Psicoterapia Baseada em Evidências, Acompanhamento Terapêutico, Terapia Infantil, Desenvolvimento Atípico e Abuso de Substâncias.