
Eu estava saindo da academia, suada, descabelada e já com a cabeça na drenagem que marquei na Barra, quando as meninas começaram: “Kátia, olha isso. OLHA ESSA MULHER!”. Minha filha, parei no meio do caminho. Marina Ruy Barbosa apareceu em Veneza e acabou com o expediente aqui.
Ninguém trabalha mais. É dedo na tela, zoom na foto, aumenta de novo, volta, olha o brinco, olha o colar, olha a pulseira. Cartier, meu amor. CARTIER. E Marina com aquele vestido preto, ruiva, plena, andando no tapete vermelho do 83º Festival Internacional de Cinema de Veneza como se estivesse descendo para buscar uma encomenda na portaria.
E não era joiazinha para fazer figuração, não. Marina escolheu peças da nova coleção Into the Wild, lançada pela Cartier neste mês. Entre elas, o colar e a pulseira Tiger, feitos em ouro branco e com uma combinação de safiras, quartzo dumortierita, calcedônia, água-marinha e diamantes. O tigre aparece como elemento central das peças.
Agora segura o brinco porque foi aí que eu perdi completamente a compostura: Marina também usou os Faune & Flore de Cartier, em ouro branco, com quatro esmeraldas e 342 diamantes.
TREZENTOS E QUARENTA E DOIS DIAMANTES.
Eu vou repetir porque talvez a drenagem já esteja mexendo com a minha pressão: 342 diamantes nas orelhas da bonita. Eu saio da academia preocupada se perdi um brinco no vestiário; Marina sai de casa carregando praticamente uma agência bancária no lóbulo.
E o pior é que funcionou. Não ficou aquela coisa “a joia chegou e a mulher veio junto”. Marina segurou o Cartier. O vestido preto deixou tudo ainda mais absurdo, o cabelo ruivo fez o serviço completo e as joias apareceram exatamente como deveriam.
Estou indo para a Barra fazer minha drenagem completamente perturbada. Porque existem fotos de tapete vermelho e existem fotos que fazem uma redação inteira parar de trabalhar para dar zoom.
Marina conseguiu a segunda opção.

