quarta-feira, 25 de fevereiro de 2026
Mais do que vergonha: entendendo as causas do mau hálito e como eliminá-lo de vez
24/02/2026

Quem nunca se sentiu constrangido ao aproximar-se de alguém para conversar ou dar um beijo, com medo de ter mau hálito? Conhecida clinicamente como halitose, essa condição afeta uma parcela significativa da população. Estima-se que até 30% da população mundial possa sofrer com o problema de forma frequente, independentemente da idade ou classe social .

A boa notícia é que, na grande maioria dos casos, o mau hálito tem solução. O primeiro passo é entender que ele não é uma doença em si, mas um sinal de que algo não vai bem no organismo. A halitose pode ter origens diversas, e identificá-la corretamente é a chave para um tratamento eficaz.

Por que o hálito fica com odor desagradável?

Em cerca de 75% a 90% dos casos, a origem do problema está na própria boca . A má higienização permite o acúmulo de restos de alimentos, que são decompostos por bactérias. Esse processo libera compostos sulfurados voláteis, responsáveis pelo odor desagradável. Os principais fatores orais incluem:

· Saburra lingual: aquela camada esbranquiçada ou amarelada que se forma na língua, composta por bactérias, células mortas e restos de comida .

· Problemas dentários: cáries, gengivite (inflamação da gengiva) e periodontite (infecção mais profunda) são verdadeiros focos de bactérias .

· Má higiene de próteses: próteses mal limpas acumulam sujeira e fungos, causando forte odor .

No entanto, quando a causa não é bucal, a halitose pode ser um indicativo de outras condições:

· Problemas respiratórios: sinusites crônicas, amigdalites e infecções na garganta podem produzir secreções com mau cheiro .

· Distúrbios gastrointestinais: o refluxo gastroesofágico e a má digestão podem trazer gases e odores do estômago até a boca .

· Doenças sistêmicas: diabetes descompensada, insuficiência renal ou hepática também podem alterar o hálito .

· Boca seca (xerostomia): a saliva é um limpador natural. A redução do seu fluxo, causada por estresse, medicamentos ou respiração bucal, favorece a proliferação de bactérias .

Estratégias práticas para um hálito fresco

Antes de pensar em tratamentos complexos, é fundamental estabelecer uma rotina rigorosa de higiene e cuidados. Especialistas ouvidos recomendam as seguintes práticas :

1. Higiene bucal completa: escove os dentes após as refeições (cerca de 30 minutos depois), usando fio dental diariamente para remover resíduos que a escova não alcança. Não se esqueça de limpar a língua com um raspador específico ou com a própria escova .

2. Hidratação constante: beber água em pequenos goles ao longo do dia mantém a boca úmida e estimula a produção de saliva, um antisséptico natural .

3. Alimentação equilibrada: evite longos períodos de jejum (mais de 3 ou 4 horas), pois o estômago vazio produz gases que sobem para a boca. Modere o consumo de alho, cebola, café e bebidas alcoólicas .

4. Atenção à noite: a halitose matinal é comum devido à redução da saliva durante o sono. Para minimizá-la, a higiene noturna deve ser caprichosa. Evite ingerir alimentos de odor forte no jantar .

Remédios caseiros que podem ajudar

Como complemento à higiene, alguns bochechos naturais podem ser aliados. O chá de cravo-da-índia possui eugenol, uma substância com ação antisséptica e antibacteriana. Para prepará-lo, basta ferver 10 cravos em uma xícara de água por 5 minutos, coar e bochechar após a escovação . Mastigar folhas de salsinha também é uma boa pedida, pois a clorofila tem propriedades que ajudam a neutralizar odores .

Quando procurar um especialista?

Se o mau hálito persistir mesmo após a adoção de todos os cuidados de higiene, é hora de buscar ajuda profissional. O primeiro passo é uma consulta com um dentista, que avaliará a saúde bucal e a presença de cáries ou doenças na gengiva .

Se a causa não for identificada na boca, o profissional poderá encaminhá-lo a um médico. O otorrinolaringologista investigará problemas como sinusite, amigdalite ou caseos (aquelas “bolinhas” brancas e malcheirosas que se formam nas amígdalas) . Já o gastroenterologista será o especialista para investigar questões como refluxo, gastrite ou infecção por H. pylori .

Lembre-se: o mau hálito tem cura, mas o tratamento correto depende de um diagnóstico preciso. Ignorar o problema pode prejudicar não apenas a sua vida social, mas também mascarar uma condição de saúde que precisa de atenção.

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