Amores eu quase derrubei meu prosecco no teclado. Porque uma coisa é um bloco cheio. Outra é Ludmilla resolver brincar de deusa urbana e puxar uma multidão digna de final de Copa no Circuito Preta Gil. A cidade virou figurante e ela, claro, protagonista absoluta desse roteiro carnavalesco que mistura pop, funk, samba, axé e um ego muito bem administrado.
O Fervo da Lud tomou o Centro do Rio com aquela energia que não pede licença. Tema Ritmos, conceito grande, execução maior ainda. Ludmilla passeou pela própria trajetória musical como quem desfila álbum de figurinhas premiadas. Da menina que cantava no quintal à artista que hoje arrasta mais gente que muito feriado nacional.
O momento que virou lenda instantânea aconteceu quando ela desceu do trio. Sim, desceu. Porque Ludmilla tem essa mania perigosa de transformar palco em detalhe. Ela foi para o meio do povo, abraçou, cantou colada, olhou no olho. Vi gente chorando, gente tremendo, gente jurando que viveu um evento espiritual com batida de grave.
Enquanto isso, a cidade parava. Trânsito virou piada interna, celular perdeu sinal e o Rio lembrava ao Brasil por que Carnaval aqui não é evento, é estado emocional coletivo. Ludmilla comandava tudo com sorriso largo, presença afiada e aquele domínio de quem sabe exatamente onde pisa, mesmo no meio do caos.
Dou nome aos bois porque essa é minha função social. Ludmilla virou a Prefeita Honorária do Fervo, a CEO da Multidão e a Rainha do Bloco que não cabe em moldura. Quem ainda tenta medir sucesso só por charts precisa passar uma tarde espremido nesse mar humano para entender o tamanho do fenômeno.