
“O Fluminense tem medo do Flamengo. Seria uma final fácil, não quero. Prefiro pegar o Palmeiras. Quero um time que se equipare ao Flamengo.”
A frase foi dita por um torcedor rubro-negro à ESPN antes mesmo de o Flamengo entrar em campo contra o Independiente del Valle. Poderia ser apenas mais uma manifestação apaixonada de arquibancada, mas traduz um sentimento que tomou conta de boa parte da torcida: o de que a Libertadores já estaria praticamente resolvida entre os gigantes brasileiros.
O futebol tratou de mandar um aviso. A possibilidade de uma semifinal inteiramente brasileira desapareceu com a eliminação do Corinthians dentro de casa para o Estudiantes. E da maneira mais dolorosa possível: um pênalti desperdiçado por Memphis Depay no último lance. O argentino Estudiantes ficou com a vaga.
Os outros três brasileiros sobreviveram, mas ninguém teve vida fácil. Palmeiras e Fluminense precisaram sofrer para confirmar suas classificações, enquanto o Flamengo transformou aquilo que parecia uma simples formalidade no Maracanã em uma noite de tensão.
Depois de vencer por 2 a 0 em Quito, o Flamengo recebeu o Independiente del Valle com enorme vantagem. Só que o time equatoriano não estava interessado em participar da festa. Abriu o placar, viu o Flamengo perder Jorginho expulso e chegou a marcar o segundo, anulado por impedimento. O empate rubro-negro só veio aos 38 minutos do segundo tempo, quando um lançamento de Rossi atravessou o campo, o goleiro Quintana calculou mal a saída e Arrascaeta aproveitou para fazer 1 a 1. O Flamengo avançou por 3 a 1 no agregado.
E talvez esteja exatamente aí a maior lição deixada pelas quartas de final. Flamengo, Palmeiras e Fluminense chegam às semifinais. São três brasileiros entre os quatro melhores da América. É uma demonstração inequívoca da força financeira e esportiva que o futebol brasileiro exerce hoje no continente. Mas força não significa invencibilidade.
O Estudiantes aparece como o único estrangeiro no meio dos três brasileiros e será justamente o adversário do Flamengo. Na outra semifinal, Palmeiras e Fluminense garantem antecipadamente um brasileiro na decisão.
Portanto, aquela frase do torcedor rubro-negro serve muito mais como advertência do que como provocação.
Antes de escolher adversário para a final, é preciso chegar à final.
A Libertadores tem uma história longa demais para aceitar soberba. É uma competição acostumada a derrubar favoritos, contrariar prognósticos e transformar jogos aparentemente resolvidos em noites dramáticas.
O Flamengo continua sendo candidato ao título. Palmeiras e Fluminense também têm razões para sonhar. Mas as quartas de final deixaram uma mensagem bastante simples para os três: na Libertadores, ninguém deveria escolher adversário antes da hora.