Casos recorrentes no futebol e no esporte recreativo reforçam a importância do diagnóstico correto e da reabilitação antes da volta ao treino
Lesões no joelho voltaram a ganhar espaço no noticiário esportivo, especialmente com afastamentos de jogadores de futebol por problemas ligamentares e meniscais. Esse cenário não se restringe ao alto rendimento e também aparece com frequência entre praticantes de esporte recreativo.
Estudos internacionais indicam que o joelho está envolvido em até 40% das lesões esportivas. No Brasil, o aumento da prática de atividade física, muitas vezes sem preparo adequado, tem contribuído para o crescimento dos atendimentos relacionados a traumas na articulação.
De acordo com o ortopedista especialista em joelho Thales Rama, o mecanismo da lesão costuma ser semelhante em diferentes perfis de paciente. Movimentos de rotação, desaceleração e mudança de direção de equilíbrio muscular adequado estão entre os principais gatilhos, tanto em atletas profissionais quanto em quem pratica esporte de forma ocasional.
No ambiente profissional, o controle de carga e o acompanhamento multidisciplinar ajudam a reduzir riscos, mas o calendário intenso e a necessidade de retorno rápido podem influenciar no processo de recuperação. Já no esporte recreativo, a ausência de preparo físico e a concentração de esforço em períodos curtos aumentam a sobrecarga sobre o joelho.
Um dos principais pontos de atenção é o retorno às atividades. A volta ao esporte baseada apenas na ausência de dor ou no tempo de recuperação pode comprometer a estabilidade da articulação e aumentar o risco de nova lesão.
Segundo Rama, a reabilitação precisa considerar força muscular, controle neuromuscular e padrão de movimento antes da liberação para atividades de impacto. Quando esses critérios não são respeitados, o joelho permanece vulnerável, mesmo com melhora dos sintomas.
As lesões mais frequentes envolvem entorse com lesões do ligamento cruzado anterior, lesões do menisco e da cartilagem . Todas exigem avaliação individualizada e um processo estruturado de recuperação.
A prevenção também passa por fatores básicos, como fortalecimento muscular, progressão adequada de carga e orientação profissional. Mesmo fora do alto rendimento, o joelho responde diretamente ao tipo de esforço ao qual é submetido.