Desde de 1º de julho, brasileiros e demais estrangeiros que desejam obter um visto americano de turismo ou negócios poderão pagar uma taxa adicional de US$750 para ter acesso a um sistema de agendamento prioritário de entrevistas consulares. A medida foi publicada pelo governo dos Estados Unidos no Federal Register, equivalente ao Diário Oficial americano, e será implementada inicialmente como um projeto-piloto.
O novo programa é voltado exclusivamente para solicitantes dos vistos B1/B2, categorias destinadas a viagens de turismo, negócios e participação em eventos temporários. Na prática, o pagamento extra permitirá que determinados candidatos tenham acesso mais rápido a vagas de entrevista, reduzindo o tempo de espera enfrentado em alguns consulados.
Segundo o advogado especialista em imigração para os Estados Unidos e CEO da YOUSA Law Firm, Otávio Haverroth, a novidade cria uma alternativa para quem precisa viajar com urgência, mas não altera os critérios de aprovação do visto.
“O governo americano está criando uma modalidade de processamento prioritário para entrevistas de vistos de turismo e negócios. É importante destacar que o pagamento da taxa não aumenta as chances de aprovação do visto nem agiliza o processamento do visto. O benefício está relacionado exclusivamente ao acesso mais rápido à entrevista consular”, explica Haverroth.
O especialista ressalta que a medida é diferente do chamado “premium processing”, mecanismo existente para processos de visto para imigrantes, disponibilizado pelo Serviço de Cidadania e Imigração dos Estados Unidos (USCIS).
“Muitas pessoas podem confundir essa nova taxa com o processamento prioritário já disponível em alguns pedidos migratórios. São programas distintos. Neste caso, estamos falando apenas do agendamento acelerado para entrevistas de vistos de não imigrante nas categorias B1 e B2”, afirma.
Outro ponto importante é que a nova cobrança não se aplica a categorias frequentemente utilizadas por profissionais qualificados, pesquisadores, executivos, empreendedores e indivíduos com trajetória de destaque profissional.
“Os vistos EB-1, EB-2, EB-2 NIW e O-1 não fazem parte desse programa. Essas categorias seguem regras próprias de processamento e análise, sem qualquer relação com a nova taxa anunciada para os vistos de turismo e negócios”, destaca Haverroth.
Na avaliação do advogado, a iniciativa pode beneficiar viajantes que precisam comparecer a eventos corporativos, reuniões comerciais ou viagens emergenciais, mas deve ter impacto limitado para quem já possui planejamento de longo prazo.
“Para quem tem uma necessidade imediata de viagem, a possibilidade de obter uma entrevista mais rapidamente pode ser interessante. Por outro lado, quem não possui urgência deverá avaliar se o custo adicional compensa, considerando que a taxa se soma às demais despesas já exigidas para a solicitação do visto”, conclui.
O governo americano informou que o programa será implementado inicialmente em caráter experimental e poderá passar por ajustes conforme os resultados observados nos primeiros meses de operação.