O Brasil vai receber cerca de 14 milhões de turistas estrangeiros, que devem gerar US$ 16 bilhões em receita até 2036. Essa é a estimativa do IA (Inteligência Artificial) do presidente da Embratur, Bruno Reis. De acordo com o executivo, durante o discurso na abertura da Abav Expo, que aconteceu nesta quarta-feira (30), no Expo Center Norte, em São Paulo, essa projeção foi sugerida por ele, confrontando os dados da movimentação de turistas estrangeiros no Brasil desde 2006, ano em que o Plano Aquarela completava três anos de existência e o Brasil havia recebido cerca de 5 milhões de turistas internacionais e gerando US$ 4 bilhões em receita.
Bruno Reis lembrou que a Embratur completa 60 anos de criação em 18 de novembro próximo e que o momento do turismo brasileiro precisa celebrar algo muito maior do que a próxima criação da Agência, é “sobre evolução e transição de mentalidade, porque, mesmo diante de um cenário geopolítico e macroeconômico extremamente complexo, que todos têm ciência disso, nós evoluímos no Brasil”, pontuou.
“Alguns países estão anunciando retração de turistas internacionais e a gente continuou crescendo, tanto gerando receita, aumentando conectividade e também o número de turistas. A gente atraiu mais investimento, a gente gerou receita, criou emprego, a gente conseguiu descentralizar a renda e é importante dizer uma coisa: nada disso aconteceu por acaso”.
No discurso, o presidente da Embratur divulgou alguns números relacionados à chegada de turistas estrangeiros e o que foi gerado nos últimos anos no Brasil. Se em 2006 o país recebeu 5 milhões de turistas estrangeiros, gerando US$ 4 bilhões em receita, em 2016 – 10 anos após -, com o incremento dos Jogos Olímpicos, o Brasil recebeu cerca de 6,5 milhões de turistas, gerando US$ 6 bilhões em receita.
Mais 10 anos pela frente, agora em 2026, com o Plano Brasis com três anos de criação, de janeiro a agosto, o Brasil já recebeu 6,5 milhões de turistas estrangeiros, gerando US$ 7 bilhões em receita. Em oito meses, o Brasil, conforme Bruno Reis, conseguiu cumprir a meta específica de 10 anos atrás do ano inteiro. “Independente de que chegaremos a 9, a 10, 11 milhões de turistas, a discussão aqui é que o número de turistas é importante, mas existe algo ainda mais importante: que é trazer para o Brasil um turista que deixe um impacto positivo no país. Que permaneça mais tempo, que gaste mais, que conheça mais destinos, que gere emprego e renda, que ajude a desenvolver locais e que queira voltar”, afirmou.
“Toda a campanha, todo famtour, toda feira, todo projeto apoiado, toda startup acelerada, enfim, toda ação de marketing utilizada nos últimos quatro anos pela Embrtur foi executada com muita coerência, com visão de negócios, com estratégia e com visão de longo prazo. Nada do que aconteceu foi simplesmente orgânico, havia uma estratégia por trás. E fazer isso acontecer deu muito trabalho”.
Com os dados apresentados pelo IA, o presidente da Embratur fez uma outra pergunta: “quem vai fazer isso acontecer?”, disse.
“A resposta dela foi muito interessante. Ela disse que é uma responsabilidade compartilhada: o Governo Federal, Ministério do Turismo, com estratégia nacional, com infraestrutura e articulação com os ministérios. A Embratur fazendo promoção e atraindo mais turistas de mercados prioritários. Os estados e os municípios com infraestrutura local, segurança turística, mobilidade, conservação e promoção e aprimoramento da oferta. Os aeroportos e companhias aéreas ampliando e mantendo as conexões internacionais, capacidade dos voos. As entidades e associações de turismo, com o Conselho Nacional de Turismo. O setor privado: hotéis, restaurantes, parques, guias, operadoras, agências, academia e tantas outras empresas ampliando a oferta e melhorando cada vez mais a experiência do visitante. E os ministérios ligados a infraestrutura de transporte, segurança, relações exteriores, porque não é de fato uma dedicação exclusiva do Ministério do Turismo. E o Congresso Nacional, parlamentares que se dediquem e tenham compromisso com essa indústria, aprovando leis e priorizando recursos, políticas públicas que contribuam para um ambiente de negócios cada vez melhor para o turismo”.
Bruno Reis afirmou, brincando, que a IA tirou o corpo de fora, não se colocando a ajudar nas ações de políticas de desenvolvimento do turismo nacional. Entretanto, “ela colocou a responsabilidade na mão de todo mundo que está aqui. E talvez seja exatamente essa a resposta: quem vai fazer isso acontecer em 2036 somos nós. Nós que estamos aqui hoje, nós que estamos nessa cerimônia, nós que trabalhamos todos os dias, que acreditamos no turismo, somos a potência dessa indústria. E a gente precisa ter consciência dessa força”.
Ainda de acordo com Bruno Reis, “a gente precisa saber dialogar e influenciar diferentes esferas de poder para colocar o turismo no lugar de importância e reconhecimento que ele merece dentro do Brasil. Porque turismo não é apenas lazer, é economia, emprego, renda, desenvolvimento regional, inclusão e mais Brasil no mundo. É oportunidade. E, na minha análise, o que falta para completar essa transição de mentalidade na nossa indústria é muito simples: é fazer mais e falar menos”, concluiu.
