sexta-feira, 27 de fevereiro de 2026
Humilhação no Maracanã: O dia em que o orçamento de Série B do Lanús destruiu a empáfia do Flamengo
27/02/2026

O que o Flamengo pagou por Lucas Paquetá daria para comprara todo o elenco do Lanús e ainda sobraria um “troco” pra reformar o seu estádio

O silêncio que ensurdeceu o Maracanã nesta quinta-feira (26) não foi apenas o de uma torcida derrotada, mas o de um projeto de poder que colapsou diante da chuva e da organização argentina. A Recopa Sul-Americana de 2026 terminou da forma mais improvável para quem olha apenas o saldo bancário: o Flamengo, com seu faturamento bilionário e estrelas de calibre mundial, foi vergonhosamente dobrado pelo Lanús. O roteiro do “Maracanazo Granate” começou com uma lambança simbólica, quando Rossi escorregou em um recuo de Ayrton Lucas e entregou o presente para Rodrigo Castillo abrir o placar. O Flamengo até buscou a reação com dois gols de pênalti — convertidos por Arrascaeta e Jorginho —, mas o que se viu na prorrogação foi a derrocada física e emocional de um gigante. Os gols de Canale e Aquino no tempo extra não foram apenas acertos táticos; foram sentenças de morte para a soberba rubro-negra, selando um 3 a 2 (4 a 2 no agregado) que humilha a instituição mais rica do continente.

A vergonha ganha contornos de absurdo quando colocamos as cifras na mesa. No futebol moderno, convencionou-se dizer que o dinheiro compra competitividade, mas o Lanús acaba de provar que ele não compra destino. A comparação é acachapante: o valor de mercado de Lucas Paquetá, a contratação mais cara da história do futebol brasileiro (cerca de € 42 milhões), é equivalente ao valor de todo o elenco do Lanús. Sozinho, um único jogador do Flamengo “vale” os 25 atletas que deram a volta olímpica no Rio de Janeiro. É a prova de que o abismo econômico, em vez de blindar o Flamengo, tornou-se o palco de uma das maiores humilhações de sua história recente. Enquanto o clube carioca ostenta uma folha salarial europeia, o Lanús opera com a dignidade de quem sabe que o brio não tem preço fixado em dólar.

Essa disparidade financeira nos obriga a questionar onde esse Lanús se encaixaria no nosso ecossistema. Pela realidade orçamentária, os “Granates” teriam dificuldades imensas para figurar na prateleira de cima do Brasileirão. Com receitas que não chegam a 15% do que o Flamengo arrecada, o Lanús seria, financeiramente, um clube de final de tabela da Série A ou um gigante com orçamento de Série B. No entanto, dentro de campo, a realidade é outra. O futebol apresentado pelo campeão da Sul-Americana e da Recopa é de um nível de organização que o colocaria hoje brigando por G6 em qualquer Campeonato Brasileiro. O Lanús é a luz que o Brasil se recusa a enxergar: a gestão austera e o trabalho tático de longo prazo podem, sim, derrubar impérios construídos sobre montanhas de dinheiro. Para o Flamengo, fica a lição amarga de que, no Maracanã, a camisa e o saldo bancário não entram em campo sozinhos — e que, para quem gasta como rei, cair para um operário dói muito mais.

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