
Lucas Paquetá está relacionado para enfrentar o Corinthians neste domingo, na decisão da Supercopa, contra o Corinthians, e a simples presença dele já transforma o jogo em atração nacional. Não apenas pelo peso esportivo, mas pelo simbolismo: trata-se da maior contratação da história do futebol brasileiro (R$ 260 milhões), um movimento raro em tempos de mercado dominado pela Europa.
O retorno de Paquetá ao Flamengo ganha ainda mais destaque pelas circunstâncias. O jogador recusou propostas de gigantes da Premier League para deixar o West Ham e permanecer na elite do futebol inglês. Preferiu voltar para casa. Em vídeo de bastidores divulgado pelo clube, ele mesmo relata a situação de forma direta e quase desarmante.
“Ligou o Tottenham, o Chelsea, e o engraçado é que o Tatá ligou empolgado e disse: ‘o Chelsea tá ligando, eles vão fazer proposta’. Eu respondi: ‘tá, mas e o Flamengo?’.”
Igualzinho a Romário?
A escolha inevitavelmente despertou comparações com outros retornos históricos. A mais citada foi com Romário, que voltou ao Flamengo nos anos 1990 ainda no auge da carreira internacional. A semelhança superficial está aí: ambos cariocas, ambos em alta, ambos escolhendo o Flamengo quando poderiam seguir faturando – e brilhando – fora do país.
Quando questionado sobre essa analogia, Romário fez o que sempre soube fazer: foi direto, cruel e absolutamente sem filtro. Disse que a comparação era “uma merda”. Justificou afirmando que, quando voltou, era campeão do mundo com a seleção brasileira e eleito o melhor jogador do mundo pela FIFA. E completou com uma ironia pesada, ao dizer que Paquetá, se ganhou alguma coisa, teria sido “no jogo do bicho”.
É o Romário em sua versão mais ácida. Cruel quando quer ser cruel, deselegante quando não faz esforço algum para ser elegante. Não havia necessidade de ir tão longe, nem de personalizar o ataque. A crítica poderia existir sem o deboche. Ainda assim, há um fundo de verdade factual no argumento: os contextos são diferentes, os momentos de carreira também.
Isso, no entanto, não diminui o gesto de Paquetá. Ao contrário. Em um futebol cada vez mais refém de cifras e carreiras planejadas como ativos financeiros, abrir mão da vitrine inglesa para voltar ao clube que o revelou é um movimento que foge à lógica fria do mercado. Não precisa ser Romário, nem repetir sua história, para ser relevante