sábado, 14 de março de 2026
Futebol feminino: reconhecimento incompleto
13/03/2026

Em 2026, surge um debate sobre a necessidade de uma reparação histórica às pioneiras do futebol feminino brasileiro e que ganhou duas frentes.

De um lado, o Ministério do Esporte apresentou ao governo uma proposta de auxílio mensal para ex-jogadoras da Seleção Brasileira feminina de 1988, além de um pagamento único de R$ 200 mil. De outro, surgiu o PL 656/2026, apresentado na Câmara dos Deputados, prevendo uma reparação histórica mais ampla para essas atletas, com indenização única de R$ 300 mil, benefício mensal especial e acesso prioritário a ações de saúde, reabilitação e valorização da memória esportiva.

As duas iniciativas partem de um mesmo ponto o reconhecimento: aquelas jogadoras representaram o Brasil em um momento de pouca estrutura, quase nenhuma visibilidade e escasso apoio institucional. Foram mulheres que ajudaram a recolocar o futebol feminino em evidência, enfrentando abandono, preconceito e falta de investimentos em uma fase decisiva para a modalidade.

O problema é que esse reconhecimento, embora seja muito importante, parece incompleto.

Ao concentrar a reparação apenas nas convocadas da seleção de 1988, tanto a proposta do Ministério quanto o projeto de lei deixam de lado outras mulheres que também participaram da retomada do futebol feminino no Brasil.

Houve atletas, comissões técnicas e integrantes de seleções posteriores que viveram dificuldades semelhantes e igualmente contribuíram para consolidar esse caminho.

Corretamente, o debate histórico e político não deve ser apenas sobre conceder ou não a reparação para as responsáveis pela retomada do futebol feminino no Brasil, até porque outras também jogavam e não foram à seleção de 1988, mas sobre quem ela alcança e por quê.

Reconhecer as pioneiras da seleção de 1988 é justo e necessário, mas a escolha de limitar esse reconhecimento a um grupo específico abre espaço para questionamentos.

Pois se o objetivo é reparar uma injustiça histórica, por qual razão essa reparação não contempla também outras mulheres que fizeram parte dessa reconstrução e ajudaram a tornar o futebol feminino brasileiro, não apenas participando da seleção de 1988, mas atuando em clubes e participando de outras seleções em competições futuras, o que ele é hoje?

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Higor Maffei Bellini é advogado, radicado em São Paulo, defensor dos direitos das atletas do futebol feminino em todo o Brasil.