Dia Mundial de Conscientização sobre a doença chama atenção para uma condição ainda pouco reconhecida, frequentemente confundida com “furúnculos”, e reforça a importância de ampliar o acesso ao diagnóstico
São Paulo, junho de 2026 – Os primeiros sinais da psicóloga Júlia Souza apareceram aos 12 anos: lesões dolorosas e recorrentes no braço, frequentemente tratadas como “furúnculos”. O diagnóstico correto só veio aos 17 anos, quando a paciente descobriu que convivia, na verdade, com a hidradenite supurativa (HS), uma doença inflamatória crônica que ainda é pouco reconhecida e frequentemente diagnosticada de forma tardia. Neste Dia Mundial de Conscientização sobre a Hidradenite Supurativa (HS), marcado no dia 6 de junho, dermatologista Mariana Meyer e paciente reforçam a importância de ampliar o conhecimento sobre a doença.
Caracterizada por lesões dolorosas e recorrentes, principalmente em regiões como axilas, virilha e abaixo das mamas, a HS é muitas vezes confundida com condições comuns, como acne e furúnculos, o que pode atrasar o diagnóstico e o início do cuidado adequado. “Passei anos ouvindo que era apenas um furúnculo, enquanto convivia diariamente com dor, vergonha e insegurança. Receber o diagnóstico e tratamento correto mudou completamente a minha vida”, relata a paciente.
Neste contexto, o reconhecimento precoce dos sinais e a busca por orientação médica são fundamentais para evitar a progressão da doença². Ainda assim, o diagnóstico da HS no tempo correto continua sendo um desafio4: por se tratar de uma condição de difícil reconhecimento, e os pacientes podem levar, em média, até 7 anos entre o surgimento dos sintomas e a confirmação da condição.
Embora os sinais da doença apareçam na pele, o impacto vai além das manifestações visíveis. A inflamação persistente pode afetar significativamente a qualidade de vida dos pacientes, com consequências físicas, emocionais e sociais². “Eu deixei de usar roupas que gostava, de ir à praia e até de praticar exercícios por causa da dor e do constrangimento. Hoje consigo fazer tudo isso novamente. O acolhimento médico fez toda a diferença no meu tratamento e qualidade de vida”, explica Júlia.
“Conviver com uma doença que muitas vezes não é compreendida pode gerar impactos que vão além do físico. Quanto mais informação tivermos, maiores são as chances de reconhecer os sinais e buscar ajuda no momento certo”, afirma Dra. Mariana Meyer, dermatologista (CRM: RJ 52.103904-0).
Embora seja mais comum após a puberdade, a hidradenite supurativa pode se manifestar em qualquer momento da vida, por isso, observar os sinais desde a infância são essenciais para um diagnóstico precoce e o início do tratamento adequado2. Os principais sinais a serem analisados são: lesões inflamadas, dolorosas, como nódulos, ou caroços, que podem evoluir com abertura e drenagem de pus e que aparecem com frequência no mesmo lugar2.
“Nenhum paciente deveria precisar conviver com dor, insegurança e limitações por tanto tempo sem entender o que está acontecendo. Qualquer sinal incomum, aparecimento de lesões que parecem acnes e furúnculos, deve ser investigado por um profissional”, finaliza Dra. Mariana Meyer.