O sucesso meteórico de Endrick no futebol francês começa a produzir um efeito colateral preocupante: a elevação do garoto a um patamar que beira o delírio. Um perfil bastante popular na rede X, conhecido como Dr Yash, dono de uma conta de fã do Real Madrid com mais de 150 mil seguidores, publicou que Endrick “pode ser a reencarnação de Pelé”. A frase, além de exagerada, ajuda a criar um ambiente de cobrança desproporcional para um jogador que ainda está no início da carreira profissional. A postagem teve milhares de curtidas e dezenas de milhares de visualizações, mostrando o tamanho do alcance desse tipo de narrativa.

A reação de outros internautas expõe o clima que se forma em torno do atacante brasileiro: parte do público embarca na euforia sem freio, enquanto outra parte pede calma, ironiza a comparação e lembra que até gênios do futebol precisaram de tempo para se consolidar. O problema é que, quando esse tipo de discurso viraliza, a pressão deixa de ser apenas externa e passa a rondar o próprio jogador. Comparar um jovem em formação a Pelé não é elogio inocente: é colocar sobre os ombros de um garoto uma expectativa quase impossível de ser correspondida, num ambiente em que o mesmo público que idolatra hoje costuma ser o primeiro a cobrar amanhã.