Dom Pantero
19/04/2026

Documentário inédito investiga as inspirações geográficas da obra de Ariano Suassuna

“A Pedra do Reino e o Sertão de Dom Pantero” percorre os lugares reais que o escritor transfigurou em literatura

Com direção de Manuel Dantas Vilar, o documentário A Pedra do Reino e o Sertão de Dom Pantero oferece um mergulho inédito no processo criativo de Ariano Suassuna a partir de sua geografia afetiva. A obra parte da literatura do autor para revisitar os sítios da Paraíba e de Pernambuco onde ele viveu, caminhou e recolheu imagens que depois seriam transfiguradas em seus romances — a Casa-Forte da Onça Malhada, a Pedra do Ingá, a Serra do Pico, a Pedra do Reino, entre outros.

O filme articula excertos dos textos de Ariano com as paisagens que os inspiraram, evidenciando o que o escritor chamava de “transfiguração do real”: a operação poética pela qual o geográfico se converte em ficcional, o sertão em reino literário. A montagem entrelaça trechos de A Pedra do Reino, O Rei Degolado e Dom Pantero às imagens captadas em locações reais, construindo um diálogo entre palavra e visual.

A realização reúne depoimentos inéditos do professor Carlos Newton Junior, autor de estudos fundamentais sobre a obra de Ariano, e do artista plástico Manuel Dantas Suassuna, filho do escritor. Ambos ajudam a traçar a cartografia afetiva que alimentou a criação de Ariano. A direção de fotografia, assinada por Francisco Mendes e pelo próprio Manuel Dantas Vilar, capta a luminosidade e as texturas do Sertão como matéria de invenção. A trilha sonora original foi composta e executada pelo Quinteto da Paraíba, sob direção musical de Xisto Medeiros, incorporando elementos da sonoridade nordestina — galopes, emboladas, reisados — em uma escrita de câmara que atravessa o imaginário árido sem cair no ilustrativo.

O documentário se inscreve nas celebrações do centenário de Ariano Suassuna, celebrado em 2026, e busca alcançar tanto os leitores mais experientes quanto aqueles que se iniciam na obra do autor — além dos admiradores de sua figura pública, que segue viva e influente nas redes sociais mesmo após seu encantamento. Pelo ineditismo da abordagem — partir da literatura para o território real —, a obra oferece camadas de apreciação para todos os públicos.

A produção destaca ainda a relevância de Ariano como um artista que apresentou o Brasil aos brasileiros, construindo uma narrativa profundamente nacional e essencial. Sua obra, tão ligada ao país e ao seu povo, cristaliza-se ao longo do tempo como algo encantador, renovado, vivo e indispensável.

Ficha técnica resumida:
Direção geral e roteiro: Manuel Dantas Vilar
Direção de arte: Manuel Dantas Suassuna
Direção de fotografia: Francisco Mendes e Manuel Dantas Vilar
Montagem: Francisco Mendes e Manuel Dantas Vilar
Trilha sonora original: Quinteto da Paraíba (direção musical: Xisto Medeiros)
Depoimentos: Carlos Newton Junior, Manuel Dantas Suassuna

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Zé Euflávio
Zé Euflávio

Zé Euflávio é um dos jornalistas mais respeitados da Paraíba, com passagens também pelo Correio Braziliense.