quinta-feira, 3 de abril de 2025
Coração quebrado
02/04/2025

Caminhava hoje pelo Parque da Cidade, quando meus olhos tropeçaram num cadeado preso à grade de arame de uma ponte. Estava ali como tantos outros — promessas metálicas de amor eterno —, mas havia algo diferente. Do lado do cadeado, um coração desenhado, partido ao meio.

Fiquei ali, parado, inventando histórias. Teria sido um casal apaixonado que selou ali seu amor, como tantos fazem, jogando a chave fora como quem jura nunca mais voltar atrás? E então algo se quebrou. Alguém foi embora, alguém ficou. O amor, esse inquilino instável, saiu sem pagar o aluguel da memória.

Ou talvez só tenha caído o outro lado do coração — ferrugem, tempo, vento. Vai saber. Mas a imagem ficou: um cadeado solitário, segurando firme um amor que talvez já nem exista. Ou que persista, mesmo partido.

No fim, quem ama sempre arrisca o coração — inteiro, em pedaços ou só metade pendurada numa grade de uma ponte qualquer.

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